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Fernando Priamo expõe 50 imagens sobre Itália


Por RAPHAELA RAMOS

15/03/2012 às 06h00

Sete mil fotos em menos de 20 dias. Parecia possível raptar a Itália, aprisionar suas belezas em retângulos e trazê-las para o Brasil. De certa forma, foi. A exposição "Itália de corpo e alma", do fotógrafo da Tribuna Fernando Priamo, oferece uma viagem por 16 cidades, todas percorridas por ele em 2010. "Se eu conseguir despertar sonhos e sensações, estarei satisfeito", diz Priamo, recuperando-se das madrugadas necessárias para a montagem da mostra. O trabalho ocupa, a partir de amanhã, a Galeria Arlindo Daibert do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).

O país do Coliseu não foi escolhido à toa. Os bisavós do fotógrafo eram italianos e deixaram como herança o interesse pela terra natal. "Ir até lá era um sonho de infância. Encontrei muito mais do que sempre imaginei." O bombardeio de imagens acionou o dedo indicador de Fernando, que se pôs a registrar tudo pela frente. "Era como se eu pudesse antecipar o que estava por vir." Desconcertado com as experiências, o artista ainda precisou lidar com emoções trazidas pelo retorno às origens. "O lugar tem peso fundamental na minha educação."

A viagem foi intensa, mas Priamo já estava acostumado. Sempre que sai de férias, prepara-se para fazer de seu ofício diário um hobby. Constrói roteiros, reúne informações, lista atrações. A ideia é que sobre mais tempo para as fotos. Às vezes, a esposa ou outros companheiros de passeio reclamam. Chamam o fotógrafo de exagerado. "Que nada", responde ele, garantindo não dispensar os momentos de diversão e relaxamento. Foi assim na Argentina, na Turquia e em Paris, temas das próximas mostras.

Admitindo-se ansioso, ele acredita que a característica seja positiva em sua profissão. Mesmo antes de desfazer as malas, passa horas e horas diante do computador, escolhendo o melhor material. "Primeiro, separo o que é para o público, para a família ou só para mim", conta, explicando que, no último caso, os registros realmente não são revelados a ninguém. "Fazem parte do meu acervo pessoal."

"Itália de corpo e alma" nasceu bem antes do momento da seleção. Ainda em território italiano, Fernando já tinha a exposição em mente. Ao observar o ritmo urbano, seu principal assunto de interesse, podia ver as imagens na galeria. Pessoas nas calçadas, prédios, meios de transporte: tudo se transfigurava em fotografias reveladas. Segundo Priamo, Michelangelo costumava afirmar que suas esculturas estavam prontas na pedra bruta, bastava que ele tirasse os excessos. "Assim acontece comigo. A paisagem está lá, só preciso cercar os pedaços."

 

Aula de história

Outra preocupação do artista é levar seu projeto para crianças e jovens, fazendo dos registros instrumentos de cultura e educação. Por conta disso, convidou a Rede Municipal de Ensino para organizar visitas didáticas. "Se eu quero que o mundo mude, devo fazer algo pelo local onde vivo", observa, dedicando a mostra aos imigrantes italianos em Juiz de Fora que nunca puderam voltar ao país.

Esta é a segunda individual de Priamo, fotógrafo da Tribuna há 13 anos e ganhador de várias premiações nacionais. O material estará exposto sem molduras, em placas "foam board", com cantoneiras de poliuretano. São 50 fotos, impressas em papel metalizado, com tamanhos entre 60cm e 1,2m. Para o lançamento, o autor convidou o violinista João Paulo Faria, que irá tocar clássicos inspirados pelas imagens. "Espero que o público receba meu trabalho desarmado e se deixe levar pela viagem dos sentidos", conclui.

Itália de corpo e alma

Lançamento amanhã, às 20h. Visitação de terça a sexta, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 16h.

Até 8 de abril – CCBM (Avenida Getúlio Vargas 200)