E a verba, para onde vai?

Diretor-superintendente do museu, Douglas Fasolato, durante audiência
Como serão investidos os mais de R$ 9 milhões de recursos externos destinados às obras de restauração do Museu Mariano Procópio? Em audiência pública realizada nesta terça-feira (22), na Câmara Municipal, o diretor-superintendente da instituição, Douglas Fasolato, destacou que o montante repassado pelo Estado, cerca de R$ 5 milhões, será utilizado para a segunda etapa de trabalhos da Villa Ferreira Lage: consolidação da restauração da fachada, decorativismo interno, execução do projeto de melhoria da estabilização da Villa com a mesma técnica da matriz de Valença e de Tiradentes. Já no Prédio Mariano Procópio serão restaurados o lanternim e a claraboia.
Durante a reunião, que contou com participação de parte dos vereadores, alguns representantes do Conselho de Amigos do Museu e poucos membros da sociedade, Fasolato expôs as melhorias já implantadas e mostrou ações a serem ainda realizadas. Com os R$ 500 mil de emenda parlamentar do deputado federal Marcus Pestana, empenhada em 2012, com contrapartida da Prefeitura de R$ 75 mil, serão promovidas iniciativas de conservação do acervo. Outro $ 1 milhão, também de Pestana, será usado para drenagem do prédio e do parque com a finalidade de manter a flora, além de trabalhos de acessibilidade ao Prédio Mariano Procópio.
Fasolato afirma que os R$ 2 milhões da Petrobras, através de parceria com o Ministério da Cultura e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), serão investidos em propostas arquitetônicas complementares e elaboração de projeto museográfico e museológico. "Vamos fazer a modelação dos espaços, seguindo a orientação museológica anterior, mas inserindo recursos das novas tecnologias de conhecimento", explica.
O valor arrecadado com a MRS via Lei Rouanet (R$ 300 mil para este ano, R$ 400 mil para 2014 e R$ 300 mil para 2015), segundo Fasolato, só poderá ser utilizado depois que a instituição captar R$ 20% dos R$ 2.400 milhões aprovados pelo dispositivo de incentivo. "Como o dinheiro vai ser liberado em etapas, não podemos usá-lo por enquanto. Estamos negociando com várias outras empresas o restante da quantia", expõe o diretor, adiantando que pretende ainda investir na troca de papeis de parede, cortinas e melhoria na sinalização. Fasolato também afirma que conta hoje com R$ 700 mil restantes em caixa e que o valor será usado para uma reprogramação de obras já iniciadas.
Vultuosa quantia
Desde que a Tribuna iniciou a série de reportagens intitulada "O museu é nosso", os valores destinados ao museu são postos em debate pelos leitores do jornal. Será que os trabalhos precisam de vultuosa quantia? Estima-se que, para a total reabertura, é necessário chegar à casa dos R$ 30 milhões. Os questionamentos aumentaram com a visita da Ministra da Cultura, Marta Suplicy, aos prédios históricos, no início de outubro, para oficializar o anúncio de transferência dos R$ 2 milhões, subsidiados pela Petrobras. Também gerou polêmica a realização da licitação para implantação da verba do Estado.
"A intenção sempre foi abrir o museu por etapas. Os R$ 30 milhões fazem parte de um projeto ideal, de uma estimativa. Só teremos os custos reais a partir do momento em que os projetos executivos estiverem prontos. A ideia é fazer reservas, ampliar áreas de exposição e de curso. Queremos que o museu seja reconhecido como uma instituição de categoria nacional. Que ele seja para Juiz de Fora o que o Museu Imperial é para Petrópolis. Nosso objetivo é realizar uma obra com rigor técnico de acordo com as cartas patrimoniais e não uma maquiagem", defende Fasolato.
10% da Lei Murilo Mendes para o Museu
Entre os pontos levantados pelo vereador Júlio Gasparette, presidente da Câmara, o que mais esquentou o debate entre o legislador e o vereador Wanderson Castelar, integrante da Frente Parlamentar, também composta por Ana Rossignoli, Zé Márcio Garotinho, Jucelio Maria e Rodrigo Mattos (proponente da reunião), está a sugestão de propor que 10% da verba total da Lei Murilo Mendes sejam voltados para trabalhos com temas relacionados ao Museu Mariano Procópio. "É muito pouco dinheiro para aquele acervo. Para uma cidade polo, não conseguir nem R$ 10 milhões é um absurdo. Fiquei triste de ver como aquelas relíquias estão guardadas. Também vou sugerir colocar mensagens nas contas de água para que as pessoas contribuam, através de depósitos em uma determinada conta bancária, com o museu", diz Gasparette.
"Dez por cento de R$ 1 milhão são R$ 100 mil. Por que não aprovar uma dotação orçamentária própria para projetos culturais relacionados ao museu? É mais justo e democrático do que tirar da Lei Murilo Mendes", sugere Castelar, destacando que os integrantes da Frente pretendem destinar uma parte dos R$ 3 milhões previstos para as emendas parlamentares de 2014 para o mobiliário do museu.
Motivo de polêmica também foi o fechamento da instituição no ano de 2008. "Isso foi um erro. Ao fechar uma instituição como aquela, você está fechando uma torneira por onde entram os recursos. O secretário de finanças fica feliz, porque é menos uma despesa. Temos que aprender com o passado para acertar no futuro. Temos que aproveitar o embalo. A memória está sendo recuperada pela sociedade", diz Castelar. "Também não fecharia, mas Mello Reis tomou a decisão de fechar porque a instituição estava caindo. A medida foi tomada antes que alguém morresse", observa o diretor-superintendente.









