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Gestos e traços simples


Por RENATA DELAGE

24/10/2013 às 07h00

Embora tenha pertencido a uma família importante, frequentado as melhores escolas do exterior e crescido rodeado por vasta herança cultural, Oswaldo Goeldi gostava de se aproximar daqueles que viviam às margens da sociedade, como bêbados, prostitutas, vagabundos e trabalhadores simples. "Talvez por isso sua obra seja tão atual, já que tais pessoas com as quais se sentia bem em conviver continuam excluídas", avalia a curadora da exposição "Oswaldo Goeldi – Soturno caminhante" e sobrinha-neta do artista, Lani Goeldi. A mostra itinerante chega hoje ao Espaço Cultural Correios Juiz de Fora, com abertura às 19h30, e segue em cartaz até 7 de dezembro. O Coro Municipal de Juiz de Fora, sob a regência do maestro Domício Procópio, se apresentará na abertura.

Segundo a curadora, o renomado gravador brasileiro era, sobretudo, um homem simples. "Era avesso à divisão social". E o contato com o ser humano e suas fragilidades se reflete na obra do artista carioca dentro de seu contexto "ambíguo", no qual os miseráveis e excluídos mereciam o mesmo respeito que os intelectuais.

A mostra, que lembra os 50 anos da morte do artista – nascido em 1895 e falecido em 1961 -, reúne obras e objetos de coleções particulares e públicas e também do acervo da Associação Goeldi. Assim, gravuras representativas da carreira, fotos pessoais e dos familiares e livros ilustrados pelo gravador estarão expostos. Para homenagear a data, os Correios lançam, em Juiz de Fora, um selo comemorativo.

Além das 56 obras de Goeldi, entre xilogravuras e desenhos, trabalhos coloridos e em preto e branco, ainda estará montado um pequeno ateliê, semelhante ao do artista, equipado com instrumentos e ferramentas de trabalho utilizados por Goeldi. Livros, cartas e jornais da época contextualizam a produção na galeria. Ao resgatar sua memória e apresentar sua produção, rica em referências, o público tem acesso a informações inéditas sobre a arte brasileira.

 

 

Retrato do que via

Gravador, desenhista, ilustrador e professor, Oswaldo Goeldi nasceu no Rio de Janeiro, morou parte da infância em Belém (PA) e posteriormente viveu alguns anos em Berna, na Suíça. Ao retornar ao Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, onde faleceu.

Faz sua primeira exposição na Galeria Wyss, na Suíça, em 1917, mesma ocasião em que entrou em contato com a obra de Alfred Kubin, que se tornaria sua maior influência. Sua primeira individual no Brasil foi no Liceu de Artes e Ofícios em 1921. Ao longo da carreira, foram inúmeras mostras coletivas e individuais, seguidas por tantas outras ocorridas após sua morte.

Goeldi retratava exatamente aquilo que via. "Não posso fantasiar aquilo que vejo", dizia ele, segundo a curadora. "Recluso – ou soturno -, o artista escolheu morar em lugares simples, cercados pelo mar e pela natureza, frequentemente retratados em suas gravuras."

Embora tenha começado como ilustrador, foi com a gravura que Goeldi se identificou. Contemporâneo de grandes literatos e artistas modernistas, ilustrou obras de nomes como Machado de Assis, Cassiano Ricardo e Carlos Drummond de Andrade.

 

OSWALDO GOELDI – SOTURNO CAMINHANTE

 

Abertura hoje, às 19h30. Visitação de segunda a sexta, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 14h. Até 7 de dezembro

 

Espaço Cultural Correios

(Rua Marechal Deodoro 470)