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Poesia e corpo em movimento


Por MARISA LOURES

02/02/2014 às 07h00

Depois de uma pausa, Estranho farol dos cacos, de Felipe Moratori, retorna com novo elenco e outra concepção de montagem. Neste domingo, às 20h30, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Carú Rezende e Licya Benatti, além de Moratori, se entregam à trama de Santiago. Menino cego que vive em uma ilha primitiva de pescadores e que se encanta pela magia de Cecília, a filha do faroleiro, com quem passa a ter uma relação rodeada de segredos. A peça integra a programação da 13ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, realizada em Juiz de Fora até 16 de fevereiro e segue em temporada no mesmo local até dia 5, às 20h.

O texto não é encenado de forma linear. O corpo vai transitando de acordo com o movimento do farol, explica Felipe. No cenário, disposto em arena, com dois tecidos simbolizando a praia e alguns sacos de areia, são apresentadas duas histórias paralelas: uma que se passa no tempo presente e outra que ultrapassa para o plano da memória. O espaço é definido no jogo de luz. A ideia da arena é questionar o palco italiano, diz o dramaturgo, que concebeu o argumento para o Festival de Cenas Curtas, em 2010. No meu encontro com as atrizes, ele foi crescendo. Seguindo a linha do teatro contemporâneo, a trilha sonora coloca a musicalidade no corpo do ator.

Segundo Moratori, quando o espetáculo estreou, em 2012, com recursos da Lei Murilo Mendes, Renata Rodrigues era uma espécie de encenadora e tinha uma função bem delimitada. A proposta mudou depois que a trupe participou, em 2013, do projeto de pesquisa Flutuando pela dramaturgia do ator, com orientação do diretor ítalo-argentino Norberto Presta. Juntos, os atores se puseram a questionar a postura de gabinete, inserindo-se em todo o processo de criação. Agora, como orientadora, Renata conduz o trio em uma direção coletiva. Passamos a investir na dramaturgia do texto, o que nos deixa à vontade para entrar na campanha, pois a Apac nos propôs trazer novidades para a cidade, explica o autor, antecipando que Estranho farol dos cacos não para por aqui. Vou lançar, em abril, um livro de contos com a perspectiva de continuidade.

Loló Névves volta à terra com a comédia A vingança de Milonga, às 18h30, no Teatro Pró-Música. Dona de casa de meia idade, Milonga arranca gargalhadas da plateia quando descobre, por meio de uma carta do marido, o fim do casamento de 15 anos e meio, 38 segundos e 2 milésimos. A solução encontrada para quem está desiludida e depressiva é a ajuda de um psiquiatra. O espetáculo está entre os textos de maior sucesso da autora de Me engana que eu gosto!?, Dona corrupção e Dona inflação e Que papel miserável. Nascida em Juiz de Fora, mas radicada em São Paulo, Loló é conhecida por investir num humor com forte crítica social. Ela ingressou nos palcos há mais de duas décadas com Tudo começa assim e termina assado, de Edgar Ribeiro.

Depois que Loló sair de cena, às 20h30, o clima cômico continuará no Pró-Música. Isso porque Gueminho Bernardes fará o solo Mau humor. A promessa é transformar as coisas chatas da vida em pura diversão, num verdadeiro descarrego de energias negativas. Gueminho é cocriador da personagem Dilma na internet, interpretada por Gustavo, e com o amigo esteve nos programas da emissora carioca, além de ser o fundador do TQ. Os ingressos estão sendo vendidos no trailer do Parque Halfeld, de segunda a sexta, do meio-dia às 19h, sábados, das 10h às 19h, e nas bilheterias dos teatros.

ESTRANHO FAROL DOS CACOS

Hoje, às 20h30. Segunda, terça e quarta, às 20h, no CCBM (Av.Getúlio Vargas 200)

A VINGANÇA DE MILONGA

Hoje, às 18h30, no Pró-Música (Av.Rio Branco 2.329)

MAU HUMOR

Hoje, às 20h30, no Pró-Música