Além da contemplação
Começa hoje a programação de oficinas do 3º Festival Nacional de Dança. As temáticas Dança contemporânea, Danças urbanas e Dança moderna americana iniciam as atividades hoje e seguem até domingo, promovendo discussões e o aprimoramento dos participantes em diferentes linguagens corporais. Completando o quadro desta edição, os encontros da linha Intervenção – instalação: Rotas da Subjetividade em cena começam no sábado, explorando as performances realizadas em locais inusitados da cidade, iniciativa que fez sucesso nas duas primeiras edições do evento. Prevista inicialmente, a oficina Brincando com o corpo, destinada a crianças, foi cancelada por conta do número insuficiente de inscrições.
Realizadas desde a primeira edição do evento, as aulas misturam alunos em diferentes estágios de aprendizado. Para participar, entretanto, é necessário um contato inicial com a linguagem a ser desenvolvida.
Sob o comando da professora do Corpo Escola de Dança, de Belo Horizonte, Sandra Santos, o curso de Dança contemporânea discute as tendências pós-modernas do segmento, procurando instigar os alunos a desenvolverem um estilo próprio. Esse exercício toma como referência o trabalho de profissionais consagrados, como Martha Graham, José Limon e o mineiro Rodrigo Pederneiras, coreógrafo do Grupo Corpo. Os encontros acontecem na Estação Cultural Estúdio de Dança Silvana Marques.
Já o Espaço Cultural Diversão & Arte recebe a professora Alicia Nascimento, também do Corpo Escola de Dança. Graduada na Universidade do Arizona e ex-integrante da Philadelphia Dance Company e da Cleo Parker Dance Ensemble, a dançarina apresenta as técnicas de Katherine Dunham, Lester Horton e Alvin Ailey, considerados precursores da dança moderna americana. Além de dar aulas na capital mineira, Alicia comanda os ensaios do grupo Sala B – Experimental de Dança.
A cultura hip hop também será contemplada na programação, com a oficina Danças urbanas, ministrada pelo professor Márcio FSF no Estúdio de Danças Silvana Marques. Com mais de uma década de atuação, o dançarino formou seu primeiro grupo em Mogi das Cruzes.
Atualmente, é diretor e coreógrafo do grupo Freestyle Force e dançarino do grupo Chemical Funk – ambos grupos premiados em festivais do gênero. Em 2009, representou o Brasil no campeonato de dança Juste Debout, em Paris.
O corpo e a cidade
O Festival de Dança deste ano cria espaço para experiências positivas das edições anteriores. Esse é o caso da oficina Intervenção – instalação: Rotas da Subjetividade em cena. Essa iniciativa veio de uma demanda dos participantes sobre algo que estava dando certo na prática do festival, comenta a diretora de cultura da Funalfa, Carú Rezende.
O tema ficará a cargo de Márcio Pizarro, professor da Universidade Federal de Goiânia, em encontros no Museu Ferroviário. As aulas terão início no sábado com conteúdo teórico que vai explicar a evolução das intervenções a partir da década de 1960. Nessa época, essa modalidade visava despertar as pessoas para a quebra de caminhos rotineiros. São desvios do fluxo urbano, explica Pizarro. A essa ideia, soma-se a questão das locações, em que a dança é utilizada para destacar cenários esquecidos da cidade. Algumas experiências do ramo procuraram reavivar a memória dos cidadãos através de ensaios fotográficos produzidos em lugares abandonados e levados para pontos de grande visibilidade. É uma reeducação do olhar, comenta.
A oficina também desenvolverá atividades práticas. O professor promete surpresas aos alunos, mas antecipa algumas ações, como o desenvolvimento de trabalhos coletivos. A atividade contará com a colaboração de artistas de diferentes segmentos, que participarão via internet de cidades como Porto Alegre e Goiânia.









