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‘A pele que habito’ chega com atraso a Juiz de Fora


Por BRUNO CALIXTO

16/12/2011 às 07h00

Pela primeira vez dirigindo um filme de suspense, Pedro Almodóvar traz a história de Roberto Ledgard (Antonio Banderas), um grande cirurgião plástico atormentado pela morte da esposa e obcecado pelo objetivo de criar uma pele perfeita, à prova de agressões. Esta é a sinopse de A pele que habito (La piel que habito), longa que estreou no circuito nacional do dia 4 de novembro, mas que somente hoje chega a Juiz de Fora, na sala 1 do Cinearte Palace.

Para o crítico Marcelo Hessel, do portal Omelete, Almodóvar faz as pazes com o cinema de gênero em seu Frankenstein moderno. ‘Por que você está me barbeando?’, questiona o paciente ao cirurgião plástico. ‘Essa é uma boa pergunta’, responde o médico, antes de passar-lhe a navalha pelo pescoço. A cena diz muito sobre o novo filme de Almodóvar, que está cheio de perguntas aparentemente simples, respondidas com enigmas. As intenções do cirurgião ficarão claras mais adiante, mas, naquele momento, uma navalha é só uma navalha – ela está ali não por conter alguma conotação rara, ela está ali por ser um instrumento de terror. O contexto vem só depois, destaca por e-mail.

Relatos de jornais voltados ao cinema afirmam que, quando decidiu adaptar o livro Tarântula, do escritor francês Thierry Jonquet, Almodóvar disse que faria um filme de terror sem gritos ou sustos. Em busca desse argumento, as jornalistas juiz-foranas Marília Xavier, 26, e Renata Vargas, 39, não esperaram a chegada da película para saborear este que pode vir a ser um dos maiores sucessos do cineasta espanhol. Já sabia que ia ser essa demora (por aqui), por isso aproveitei uma ida a São Paulo há 15 dias para assistir ao filme numa sala muito boa por sinal, comenta Marília, que atuou na produção do Primeiro Plano Festival de Cinema. Estava no Rio no feriado de 15 de novembro e não poderia deixar passar essa, conta Renata. Aliás, é uma pena Juiz de Fora ainda não acompanhar o circuito de estreias nacionais, principalmente quando se trata de produções mais alternativas, arremata a jornalista, no corpo docente do CES.

O gerente comercial de cinema da distribuidora Paris Filmes, Jorge Assumpção, esclarece, em nota enviada por e-mail, que o grupo considera, primeiramente, o público-alvo. Temos que pensar no perfil das pessoas que chegam ao cinema e fazem a opção pelo filme. É nesse momento que percebemos que, em algumas praças, a obra não terá tanto apelo quanto em outras. Essa decisão é tomada pela distribuidora e pelo exibidor, argumenta. Além disso, por se tratar de um filme com poucas cópias, a preferência é por capitais, completa Assumpção, sobre as 80 cópias do longa, disponibilizadas para o Brasil. Dessas, segundo ele, mais de uma foram direcionadas, inicialmente, a capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre, o que torna mais difícil a chance de municípios de porte médio como Juiz de Fora acompanharem o lançamento nacional.

A pele que habito é também a opção do Clube do Professor deste sábado. A sessão, que acontece ao meio-dia, no Palace, é aberta exclusivamente a docentes, mediante apresentação de documento comprobatório da atividade e tem entrada franca. Desenvolvido pela Funalfa, o projeto exige a retirada de senhas – com direito a um acompanhante -, limitadas à capacidade da sala, uma hora antes da exibição.

A PELE QUE HABITO

Palace 1: meio-dia (somente amanhã), 14h10, 16h40, 19h10 e 21h40

Classificação:

16 anos