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Travessia infinda


Por RENATA DELAGE

13/02/2014 às 07h00

Há um banco de jardim, posto no Infinito. Para lá se dirigem os amantes, ela e ele. Encontrar-se-ão? Têm um longo e atribulado caminho a percorrer, reflete o escritor Luiz Almeida, definindo, assim, o livro Encontrar…encontrar-se como um diário de bordo. A obra, quinta que passeia pela literatura adulta assinada pela poeta Maria Helena Sleutjes, será lançada nesta sexta, às 18h, na nova sede da Livraria Liberdade.

Sim, essa é uma odisseia amorosa, em que os deuses comprazem num encontro para além das meras possibilidades humanas, quando o ‘eu’ e o ‘outro’ são obra da mais genuína criação poética, prossegue Almeida, ao se aprofundar nos mares de versos e poesia profunda desbravados pela autora.

A proposta da obra, segundo ela, é lançar o leitor à reflexão de quem é este outro que todos nós, de alguma forma, buscamos. Alguns chamam de alma gêmea. Mas a ideia é refletir se ele realmente existe ou se o temos dentro de nós, idealizado, e o projetamos em outra pessoa, avalia Maria Helena. Tudo isso, é claro, não invalida o encontro com esse outro, identificado com as nossas expectativas ou não, mas sempre muito especial, já que não é qualquer pessoa que é capaz de suscitar sentimentos românticos, diz.

Duas vozes, feminina e masculina, se contrapõem e se refletem a todo tempo no diálogo poético estabelecido pela autora. Na busca por tal encontro, nasceu Marcelo Ayala, heterônimo de Maria Helena, idealizado especialmente para a obra. Tenho vários intertextos com poetas, nessa linha mais lírica. Quando propus a um deles escrevermos o livro, ele ficou um pouco amedrontado e não topou, conta. Conversando com a família sobre a frustração do projeto, acabou por ouvir do filho algo que a fez refletir. Ele sugeriu que eu me perguntasse se realmente precisava de outro poeta para realizar esse projeto.

Marcelo Ayala assumiu, então, os versos masculinos da obra, e sua identidade é revelada apenas ao fim da publicação. Na anarquia/ do quarto de um homem insone,/ uma única figura/ de mulher habita. E ela se assenhora de tudo:/ do dia, da noite e da aurora,/ dos pensamentos,/ das vontades,/ e dos desejos emudecidos, escreve o heterônimo.

A obra é a primeira publicada pelo selo editorial Gryphon Edições, idealizado pela autora. A edição especial e limitada foi editada, segundo Maria Helena, com toda a atenção. Foram impressos apenas 250 exemplares numerados. A ideia é publicar obras com conteúdo em uma forma diferenciada. Com o aparecimento dos livros on-line, a tendência é que os exemplares de papel se tornem algo cada vez mais especial, um presente, um mimo, observa.

Além dos autógrafos, a noite conta com apresentação do músico Luciano Baptista e encenação de poemas por Samanta Cruz Smith e José Olavo Smanio Brando, participantes do grupo Café Com Poesia (e Arte).

ENCONTRAR…ENCONTRAR-SE

Lançamento do livro poesias, de Maria Helena Sleutjes

Sexta, às 18h

Livraria Liberdade

(Rua Benjamin Constant 801)