Ouça agora

Duas bandas, um duo


Por BRUNO CALIXTO Repórter

22/07/2011 às 07h00

Para quem acha que a música agrega diferentes afinidades pode aguardar, por aqui, um encontro musical que vem dando o que falar entre os admiradores do bom e velho rock and roll brasileiro. Antes que os fãs pensem em rompimento, Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) e Duca Leindecker (Cidadão Quem) só tiraram férias de suas bandas principais – não há previsão de retorno – para se dedicar ao duo Pouca Vogal, atração de hoje do Cultural Bar. Segundo Gessinger, o projeto trata de arranjos e releituras de sucessos dos respectivos grupos. Mas não é só isso.

O Pouca Vogal lançou um CD e DVD (homônimos) em 2008, explorando ainda as composições e a competência instrumental da dupla. Canções como Além da máscara, Depois da curva e Na paz e na pressão estão escaladas, além de uma das mais recentes, Em paz, faixa-título do álbum que saiu em 2009.

Para abrir a noite, a banda FBI revisita clássicos da MPB e do rock nacional em versões acústicas, com repertório que vai de Mutantes a Beatles, passando ainda por Secos & Molhados, Santana, The Doors, Legião Urbana, Cazuza, Zé Ramalho, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Para encerrar, o pop rock do Operação Tequila.

Autógrafo fora do camarim

Bem antes do show, Humberto Gessinger aproveita a visita para participar de uma tarde de autógrafos na Saraiva Megastore, do Independência Shopping, a partir das 16h. Mas não adianta levar o CD, pois a ocasião será destinada ao lançamento do livro Mapas do acaso – 45 variações sobre um mesmo tema, em que o vocalista do Engenheiros resgata momentos de sua intimidade desde menino e conta novas velhas histórias da banda gaúcha. Escrevi em um mês. Demorei mais para montar o quebra-cabeça, e eu também queria inserir alguns artigos que escrevi para livros, jornais e revistas ao longo dos últimos 20 anos, conta o autor, em entrevista coletiva on-line.

Este é o segundo livro que Gessinger escreve usando a banda e a música como fio condutor. Sua estreia foi com Pra ser sincero, há um ano, que lançou como alusão aos 25 anos do surgimento dos Engenheiros do Hawaii. Em ambos, narro passagens da minha vida pessoal e profissional, além da semelhança entre as letras de músicas, muitas delas comentadas, ressalta. ‘Pra ser sincero’ é mais linear, comprometido com a cronologia. Já ‘Mapas do acaso’ é mais livre e emocional. É como se, no primeiro livro, escritor e leitor estivessem se conhecendo e, agora, no segundo, estivessem tomando um vinho tinto (ou um chimarrão) juntos, explica Humberto, que contabilizou mais de dez mil exemplares vendidos do primeiro trabalho literário.

De um lugar ao outro do mundo, o que mais tocou o músico foram as lembranças de um futuro imaginário, que, nesta segunda obra, dão forma às linhas conduzidas pelos mapas do acaso. Escrevi estes livros no mesmo estado mental em que escrevi minhas músicas. Em grande parte deles, inclusive, até posso cantar, ele garante. E se de alguma forma tudo já parecia estar nas entrelinhas de suas canções, afinal, tão importante quanto os fatos é a forma como o compositor/escritor lida com eles. A chave para estes livros não são declarações bombásticas ou segredos que mudarão a história da cultura ocidental, nada disso. É uma conversa simples de um cara que viveu um monte de coisas e está tentando descobrir se elas fazem algum sentido, ele diz.

Para a surpresa dos fãs, Humberto Gessinger apresentou o novo livro em uma twitcam no dia 11 de janeiro deste ano, antes mesmo da chegada da obra às livrarias. A experiência, além de confirmar o papel avassalador da rede na divulgação das artes, fez o músico aparecer na concorrida lista dos tops mundiais do Twitter. Estas ferramentas (redes sociais) que possibilitam chegar ao pessoal que se interessa pelo que faço, sem filtros, na veia, são fundamentais. Levei um susto quando me disseram que cheguei aos tweets mundiais, finaliza.