Riqueza em Minas
É comum que os livros de história do Brasil tragam aspectos do território onde hoje o estado de Minas Gerais está compreendido, principalmente devido à relevância na produção aurífera. No entanto, algumas obras difundiram a ideia de que, após a crise do ouro, as vilas da região teriam entrado em processo de profunda decadência. O livro que será lançado nesta quinta-feira, às 16h, no Espaço Cultural da Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes/JF – Campus da UFJF), vai na contramão dessa tendência, ao demonstrar que as consequências foram menos graves, porém mais complexas.
Resultado das pesquisas de doutorado da professora Carla Almeida, vinculada ao Departamento de História da UFJF, o livro Ricos e pobres em Minas Gerais: produção e hierarquização social no mundo colonial, 1750-1822 propõe a comparação entre o que ocorreu nas comarcas de Vila Rica (hoje Ouro Preto e Mariana) e Rio das Mortes (São João del Rei e Tiradentes) no período colonial.
Para levantar material, Carla recorreu à investigação de documentação cartorial, por meio de consulta aos inventários post mortem de pessoas que morreram nas comarcas entre 1750 e 1822. O resultado é uma obra que revela um pouco da realidade econômica da época e traz uma hierarquização do que era ser rico ou pobre naquele período. Apesar de ser um livro acadêmico, procurei usar linguagem mais palatável, para que possa ser compreendido também por quem não estuda história, esclarece.
A autora explica que precisou fazer viagens a São João del Rei, Ouro Preto e Mariana, assim como a Portugal, para realizar o trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A partir das análises, ela descobriu que além de acumular riquezas, os homens ricos também precisavam de prestígio (como receber títulos das ordens militares, ter cargo na administração colonial e integrar as principais irmandades) para serem considerados como tal.
A conclusão que chego é que os mais ricos eram aqueles que conseguiam diversificar suas atividades. Até por isso, apesar de a crise na produção do ouro ter afetado as comarcas, elas não entraram em decadência, pois houve rearranjo da economia, defende Carla. A pesquisadora também esclarece que como o trabalho aurífero era mais próspero em Vila Rica, a localidade foi mais afetada do que Rio das Mortes. Desde o período colonial, Minas Gerais vive desigualdades profundas, mas a partir da crise do ouro elas se tornaram menos nítidas.









