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Artesão do vidro


Por FERNANDA SANGLARD Repórter

08/05/2011 às 07h00

Nem a agilidade contemporânea nem a produção fabril foram suficientes para abafar a atividade artesanal de alguns artistas. Todos os fins de semana o vidraceiro Leoni Soares Galvão, 81 anos, sai do Bairro Industrial rumo ao Centro para levar a esposa, que expõe no Parque Halfeld as peças de decoração feitas por ele. Há quase 40 anos, os sábados e domingos do casal são assim. Como uma espécie de artesão do vidro, Leoni faz castiçais, cinzeiros, jarras e decora tulipas de lustres. Pequenos reparos em peças de vidro e cristal também fazem parte da carteira de serviços.

Nascido em Alagoas, o artesão foi morar em São Paulo e depois no Rio, até que foi indicado por um antigo patrão para trabalhar em Juiz de Fora. Na época, a cidade só tinha três vidraçarias, lembra Leoni. Dos 64 anos como vidraceiro, 25 deles foram dedicados ao bisotê, e, devido à experiência, o artista começou a brincar de fazer outras peças. Hoje, numa pequena área da casa, o aposentado continua experimentando a transformação.

Ele corta vidros, lixa, faz polimento, cola, desgasta algumas áreas até que surjam desenhos, e, a partir de garrafas e outras peças já usadas, cria novos objetos. Tem gente que pede para eu fazer um copo a partir de uma garrafa, ou decorar uma tulipa. Às vezes, também faço coisas da minha cabeça. Corto, colo um outro pedaço e vou brincando de inventar, conta.

Segundo o aposentado, a atividade surgiu da necessidade depois da aposentadoria, como forma de aumentar a renda familiar. De conveniente e momentâneo, o exercício passou a ser uma atividade constante. Faço peças todos os dias e só não levamos os produtos para o Parque Halfeld em dia de feriado. Hoje somos os mais antigos da feira.

De acordo com Leoni, lidar com vidros é um trabalho de paciência, enjoado, que machuca muito a mão. Só que também pode ser uma atividade boa para a cabeça. Hoje trabalho com muito prazer. Segundo ele, é impossível concorrer com a produção em escala das grandes empresas, mas a atividade artesanal ainda tem seu lugar. Minhas peças são feitas a mão, uma a uma, e nem todo mundo valoriza. Mas há quem veja importância no que faço.