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Museu terá reforço de especialistas e pós-doutorado


Por LEONARDO TOLEDO

18/12/2011 às 07h00

Duas novidades prometem incrementar a pesquisa e a conservação do acervo da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro) a partir do próximo ano. Um projeto da entidade aprovado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) vai garantir R$ 286 mil em recursos (sendo R$ 229 mil do Governo federal e R$ 57 mil de contrapartida do município) para contratação de profissionais e aquisição de material de trabalho com finalidade de estudo e catalogação das diversas coleções da entidade. O museu é muito eclético, e nem todo mundo tem conhecimento sobre todas essas áreas. Há obras praticamente desconhecidas e outras precisando de revisão nas informações, explica o diretor da Mapro, Douglas Fasolato.

Em janeiro, também terá início o primeiro projeto de pós-doutorado voltado para o acervo do museu, realizado a partir de uma parceria com o Laboratório de História da Arte da UFJF. A expectativa é que o programa resulte na integração dos diversos estudos desenvolvidos na instituição e em mais divulgação dessas informações por meio de publicações e eventos.

Com duração prevista de um ano, o projeto de preservação do acervo da Mapro contará com a contratação de dois museólogos, um historiador, auxiliares de pesquisa e cinco especialistas em setores específicos do acervo: numismática, mobiliário, arte religiosa, arte decorativa e história da arte. Segundo Fasolato, a iniciativa permitirá um aprofundamento no levantamento que vem sendo realizado desde o final de 2009. Além de garantir maior segurança para o acervo, o trabalho terá implicações futuras na elaboração dos projetos museográfico e museológico da Villa Ferreira Lage e do prédio Mariano Procópio (Anexo). São necessárias pesquisas em profundidade. Se temos um conhecimento superficial, podemos ser levados a um equívoco, ressalta o diretor.

Ainda conforme Fasolato, o levantamento em andamento tem revelado fatos surpreendentes. Até então, supunha-se que o acervo fotográfico da instituição contabilizava cerca de 18 mil imagens. Na recontagem, entretanto, foram identificadas cerca de 34 mil imagens, quase o dobro da margem inicial.

Na opinião do diretor, a pesquisa das peças é uma etapa fundamental para que a entidade seja reconhecida em âmbito nacional. As pessoas têm essa visão equivocada de que é o museu de Juiz de Fora, mas não é. Trata-se de um acervo nacional e precisa ser tratado como tal, diz

Vinculado ao Laboratório de História da Arte da UFJF, o programa de pós-doutorado no museu conta com bolsa aprovada pela Capes, que será destinada à historiadora Sônia Maria da Fonseca. Além de desenvolver um projeto de pesquisa específico, ela terá a atribuição de encontrar pontos de contato entre os diversos estudos desenvolvidos na instituição e também divulgar esse conhecimento para a comunidade científica, com realização de seminários e outros tipos de encontros. Quando começa a haver um número de pesquisas como o que temos no museu, é preciso ter uma interface entre elas, explica a coordenadora do projeto, Maraliz Christo, uma das principais pesquisadoras do acervo da entidade.

Apesar de o laboratório da UFJF não manter relações institucionais com o museu, a entidade atua desde 1998 com uma linha de pesquisa dedicada às diferentes coleções da entidade. Nesse período, foram desenvolvidas monografias de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

A parceria da UFJF com a Mapro também rendeu frutos durante a exposição Doce França, quando o Laboratório de História da Arte ficou encarregado da programação de atividades paralelas à mostra. O desenvolvimento do pós-doutorado, contudo, pode ser uma porta entreaberta para a criação de um vínculo institucional entre as duas entidades. Na opinião de Maraliz Christo, tal aproximação seria benéfica para ambos, podendo viabilizar novos projetos de pesquisa. Há uma preocupação muito grande da universidade nesse estreitamento de relações com as instituições de Juiz de Fora, particularmente, com o museu, garante. Criar uma cultura de pesquisa em relação ao museu. Essa é a melhor contribuição que a universidade pode dar, finaliza.