Palavras na rede

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Adicionar Tribuna de MinasDas muitas utilidades das invenções, tenho observado, com leigo olhar de turista, que a rede (esta, bem maior que a que Charlote utilizou para salvar seu porquinho querido), para além da pesca, tem permitido a livre expressão de vários tipos de peixes.
Na rede posta quem quer, lê também quem quer, ou pelo menos, infelizmente ainda, os que podem fazê-lo. Neste exercício novo de teclar sobre tudo e qualquer coisa, o gosto pela escrita parece-me estar sendo retomado, com novos contornos, pistas a se investigar.
Das maltraçadas linhas para as milimetricamente dispostas letrinhas, com seus espaços regulares. Dos sentimentos rasos ao prosaico dia a dia, das certezas que mudam no dia seguinte para as cortantes constatações de sermos humanos e perdermos nossa humanidade.
Os posts tomaram o lugar dos velhos diários secretos, manifestações que ultrapassam a adolescência e caminham desnudando a vida adulta. É uma geração com mais coragem de falar de seus sentimentos? Ou de falsear suas tentativas de atitudes? Seria a tela uma máscara?
Duas facas para vários legumes: máscaras podem servir à libertação ou a mais vil covardia. Reflexões que não terminam… O encontro frio da máquina com o calor dos sentimentos expostos! Para esta combinação não há normas que limitem ou métodos que mutilem. A livre expressão é inerente a este novo momento.
Não digo aqui que a produção literária deva se voltar ou esquecer suas escolas, seus estilos, seus valiosos aprendizados e ensinamentos, e, acima de tudo, suas sublimes demonstrações do ser. Muito menos que haja pretensão estilística nas demonstrações livres de estados galopantes de espírito. Mas o calejar do dedo que cata milhos pode alimentar as aves que arriscam voos para além de sua segura vizinhança.
O equilíbrio, tão caro à beleza dos versos, pode aparentemente se perder no caos, mas está apenas perdido, não desapareceu. Novos olhares podem encontrá-lo… Por ora, fechar os olhos me parece a melhor expectação, deixar a mente livre para correr, suar e liberar a tal endorfina, que os atletas tanto resplandecem.
Aos que têm a propriedade do falar da língua, da literatura e suas manifestações, meu imenso respeito. Aos que se aventuram neste espaço esquadrinhado, minha profunda admiração. Os espaços dão vazão à criatividade.









