A impunidade é vergonha nacional

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Adicionar Tribuna de MinasEstranha sina de nós brasileiros. Vivemos de pequenos arrancos, de soluços de confiança e esperança. Volta e meia dizemos a nós mesmos: agora vai. E não vai. Foi assim em tantas situações… Diretas Já, Ficha Limpa, crescimento econômico, limpeza ética no Governo, com demissão da turma do malfeito, e, a última delas, o mensalão.
Não acreditávamos em denúncia de tantos figurões petistas – e ela foi apresentada. Não acreditávamos que fossem julgados – foram. Acreditávamos que seriam absolvidos – foram condenados. Agora, pensamos, a coisa vai. Todos serão presos. Não foram e, se forem, será daqui a muito tempo. O acórdão deverá ser publicado neste mês, mas aí inicia-se o prazo de recursos, e ninguém sabe até onde este prazo será esticado.
A euforia levou à descrença, e esta, à inércia. É desta leniência do brasileiro que se aproveitam os maus políticos para se tornarem donos do poder. Donos sim, pois só este sentimento de propriedade explica a desfaçatez dos senadores de elegerem Renan Calheiros presidente do Senado, contra a opinião popular. A falta de pudor do peemedebista Romero Jucá de avisar, antes que algo seja protocolado, que denúncias contra Renan serão arquivadas, sem exames. O presidente eleito do Senado, é bom lembrar, renunciou ao mesmo cargo, mas manteve o mandato, para não ser cassado, por quebra de decoro. Agora é reconduzido pelo voto da maioria esmagadora de seus pares, mesmo denunciado ao Supremo por três crimes.
Eleito, ainda recebe telefonema de cumprimentos da presidente Dilma, que se diz contra malfeitos e malfeitores. Renan, no Senado, Henrique Alves, na Câmara. Os dois em vias de ser julgados e, quem sabe, condenados por crimes contra o patrimônio público e a Lei Eleitoral. Enquanto isso, os bons se afastam da política que, não tendo espaço vago, acolhe os aproveitadores de toda ordem. Deus salve o Brasil dos brasileiros e dos políticos que eles elegem.









