Escassez de água

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Adicionar Tribuna de MinasA adoção do rodízio no abastecimento de água em Juiz de Fora nos obriga a refletir sobre como temos tratado a questão dos recursos hídricos. A água é um recurso insubstituível e indispensável aos seres vivos e ao desenvolvimento da economia. No entanto, sua distribuição no tempo e no espaço é irregular. Existem regiões no Brasil com grandes mananciais e elevado índice pluviométrico e regiões naturalmente marcadas por déficit hídrico, onde a população convive com a escassez de água praticamente o ano inteiro, como acontece no sertão nordestino. A região Sudeste possui mananciais importantes, nos quais o clima tropical, no verão, garante a recarga.
Entretanto, presenciamos nesse início de 2014 um período de estiagem prolongada, conjugado com temperaturas elevadas. Trata-se de uma condição meteorológica atípica que provoca o rebaixamento dos níveis dos reservatórios, comprometendo o abastecimento urbano. Em São Paulo, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) optou por anunciar um desconto de 30% na conta de quem reduzir o consumo em cerca de 20%. É uma estratégia que procura recompensar o consumidor que economiza água. No entanto, não sabemos se vai surtir efeito imediato, conforme demanda a situação.
Rodízios, descontos, racionamentos e caminhões-pipa são medidas emergenciais extremas que, na verdade, demonstram nossa dificuldade de atuar em eventos dessa natureza, cada vez mais frequentes nos últimos anos e desafiadores tanto no campo da previsão/prevenção quanto da gestão. Em Juiz de Fora, os mananciais (Represa João Penido, Ribeirão Espírito Santo e represa de São Pedro) ainda estão com volumes satisfatórios. Nosso problema se relaciona aos picos de demanda e falhas de abastecimento para regiões mais elevadas da cidade. Acreditamos que a ampliação e melhorias técnicas no abastecimento deverão mitigar o problema.
Por outro lado, será necessário priorizar o uso sustentável da água nos setores econômicos (agropecuária e indústria) e combater o desperdício no consumo doméstico. Mas o momento também é propício para repensar o que pretendemos com nossos mananciais. Isso vale especialmente para represa de São Pedro que, atualmente, encontra-se pressionada pelos impactos adversos do crescimento urbano insustentável. É um manancial que deveria ser recuperado e preservado, afinal contribui com 8% do abastecimento da cidade, o que não é desprezível, pois estamos falando de um recurso vital. Essa crise nos obriga a olhar a questão com maior profundidade. E dentre as preocupações que envolvem o tema água, uma é imprescindível: a garantia de acesso. De acordo com a ONU, o acesso à água potável (limpa e segura) e ao saneamento básico é um direito humano essencial.









