Jovens de JF estão mais vulneráveis
Juiz de Fora está com sua juventude mais vulnerável à violência e passou a ocupar a 220ª posição nacional no ranking de vulnerabilidade juvenil em 2014. O dado faz parte do levantamento do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade do Governo federal, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, levando em conta municípios com mais de cem mil habitantes. O indicador de desigualdade do município foi de 0,320 este ano. Em 2010, a cidade ocupava a posição 238ª e seu indicador era de 0,291.
Esse estudo tem como objetivo mensurar a vulnerabilidade à violência entre adolescentes e jovens de 12 a 29 anos para as 27 unidades da federação e incorporar a existência de desigualdades de raça/cor a partir do risco relativo de negros e brancos serem vítimas de homicídios.
Para o diretor do Centro de Pesquisas Sociais da UFJF, Paulo Fraga, os dados demonstram que Juiz de Fora, muito mais do que acompanhar a tendência nacional, possui um fator específico: a ausência de políticas públicas integradas para se combater a violência entre jovens. “Nos últimos dez anos, o número de homicídios na cidade mais que dobrou. E, entre as principais vítimas, estão jovens negros moradores da periferia. Este perfil, além de ser o que mais morre, também é semelhante ao do agressor.”
O levantamento do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade também tem a função de gerar insumos e indicadores para a formulação e implementação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento às altas taxas de violência contra a juventude brasileira, especialmente contra os jovens negros que foram, em 2013, 18,4% mais encarcerados e 30,5% mais vítimas de homicídios do que jovens brancos. Conforme o Índice de Vulnerabilidade, nascer negro no Brasil aumenta 2,5 vezes mais o risco de morte por homicídio em comparação com aqueles que são considerados brancos.
A média foi feita levando em conta todos os estados do país e, em Minas Gerais, a ela é um pouco mais baixa, uma vez que ficou em 2,2. Os estados de Mato Grosso do Sul (2,4), Rio de Janeiro (2,3), Mato Grosso (2,0), Rondônia (1,8), Tocantins, (1,8), Rio Grande do Sul (1,7), São Paulo (1,5), Santa Catarina (1,4) e Paraná (0,7) também apresentaram indicadores inferiores à média nacional. Chama atenção o caso do Paraná, que se destaca como o único em que o risco de um jovem negro ser assassinado é inferior ao de um jovem branco.









