EDUCAÇÃO LIBERTA
O discurso de posse da presidente Dilma Rousseff foi permeado por compromissos de seu mandato anterior – alguns deles não realizados -, mas também apontou para horizontes promissores, sobretudo quando garantiu ênfase à educação. De fato, como ela acentuou, a educação liberta e redime. O país tem desafios importantes em diversas áreas, como saúde e segurança, também destacadas em seu pronunciamento, mas todas elas dependem necessariamente da educação de qualidade. Para isso, é necessário também qualificar e gratificar com dignidade os educadores, hoje um desafio permanente de prefeitos, governadores e presidente.
Em outro ponto, tanto Dilma quanto o presidente do Congresso, Renan Calheiros, abordaram a importância da reforma política. E aí há um paradoxo: reconhecem sua necessidade, mas ignoram que a iniciativa dessa necessária mudança depende, e muito, de ambos. Da presidente da República, em razão do poder de agenda do Executivo. Do presidente do Congresso, para agilizar as discussões entre seus pares. Mais do que os 12 anos citados por Renan, Câmara e Senado estão enrolando essa questão há bem mais tempo. Não é de hoje que se fala em rediscutir o financiamento de campanha e, sobretudo, da necessidade de conter a enxurrada de partidos que habita a instituição. O país terá 34 a partir desta legislatura, 28 deles instalados no Parlamento.
O anúncio de combate sem trégua à corrupção, que passou em grandes tons pela situação da Petrobras, foi uma peça importante, pois a presidente pretende encaminhar legislação específica para ampliar a cautela no uso do dinheiro público. De fato, não basta punir corruptos se não atingir o corruptor; também não faz sentido fazer distinções entre os envolvidos, sejam eles poderosos ou não. A isonomia legal deve ser levada a extremos, respeitados, é fato, os direitos plenos de defesa.
O país que emerge para esse segundo mandato é bem mais atento, bastando ver o resultado das urnas e a movimentação das ruas em junho de 2013. Cabe, pois, aos seus atores políticos, levar em conta o recado, que valeu tanto para governantes quanto para a oposição.











