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Samu atende 14 acidentes com motos por dia em JF


Por Tribuna

20/12/2014 às 07h00- Atualizada 26/12/2014 às 04h53

Pablo da Silva pilota há 10 anos e considera que cautela torna a motocicleta um veículo seguro

Pablo da Silva pilota há 10 anos e considera que cautela torna a motocicleta um veículo seguro

Acidentes envolvendo motocicletas estão cada vez mais constantes em Juiz de Fora, principalmente entre os jovens. De acordo com o coordenador médico do Samu Regional, Cláudio Reis, cerca de 30% dos atendimentos realizados pelo serviço são traumáticos. Destes, 60% são acidentes com moto. Ou seja, se em 24h o Samu realiza, em média, 80 atendimentos, 14 deles são motociclistas feridos. O coordenador ressalta ainda que esses feridos comumente são jovens em motos precárias. Os acidentes ocorrem no horário de pico, entre 11h e 13h e entre 17h e 19h30, nas áreas centrais da cidade como nas avenidas Getúlio Vargas, Itamar Franco e Rio Branco. Nas duas últimas semanas, dois acidentes terminaram em mortes. No dia 8, um jovem de 19 anos morreu atropelado após colidir com um poste e ser lançado da moto, na Avenida JK, na altura do Bairro Francisco Bernardino, Zona Norte. O outro caso ocorreu na madrugada de domingo, na Avenida Rio Branco, quando um homem de 33 anos não resistiu a ferimentos após uma batida com um automóvel.

O comandante substituto do Pelotão de Policiamento de Trânsito (PPTran), tenente Rodrigo Oliveira, afirma que os acidentes de moto são os mais graves. “Por exemplo, em uma colisão simples de um carro, o dono só terá danos materiais. Já a moto não tem proteção. Até mesmo uma colisão simples pode causar lesões e ser fatal, porque o anteparo da moto é o próprio corpo do condutor.” Segundo o último levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, referente à 2012, os acidentes envolvendo veículos de transporte (91) são mais fatais, sendo a segunda maior causa externa de óbito em Juiz de Fora. Em primeiro estão as agressões (105). As quedas (55) ficam com a terceira colocação.

O tenente cita a inexperiência como principal explicação para o alto índice de jovens envolvidos nestes acidentes. “Às vezes ele é recém-habilitado ou até mesmo não possui habilitação. Eles não têm a cautela que a condução de um veículo exige.” Oliveira ainda ressalta a importância da manutenção preventiva para evitar as colisões. “Por exemplo, o pneu em bom estado propicia que o veículo pare a tempo de evitar o acidente. Às vezes, a pressa de realizar uma entrega, de chegar a algum lugar, faz com que o condutor se coloque em situação de risco.”

O motoboy Fernando José Braz, 45 anos, concorda que inexperiência e moto fazem uma perigosa combinação. “Quando eu tinha três anos de carteira, sofri um acidente grave. Mas, depois de uns anos, comecei a andar mais tranquilo e sem a correria de antigamente.” Já o motoboy Claudio Gomes, 22 anos, aponta a desatenção como principal causa dos acidentes. Pablo Alberto da Silva, 39 anos, pilota moto há dez anos e acha o veículo mais seguro que os carros. “Eu sou cauteloso e ando sem pressa. Há uma grande diferença entre motociclista e motoqueiro.”

Contrariando o estereótipo dos motociclistas, Valéria Almeida, 51 anos, é apaixonada por moto e diz não ter medo de pilotar. “No ano passado, eu sofri um acidente grave dentro do meu condomínio. Um fio de transmissão de telefonia havia descido e agarrou no meu pescoço. Eu me machuquei muito e, por isso, coloquei essa antena. Mas não tenho medo de andar nas ruas não. Os outros motoristas são até mais gentis comigo por eu ser mulher.”

Infrações

Um dos motivos para o crescente número de acidentes envolvendo motos, segundo o tenente Rodrigo Oliveira, é o desrespeito às normas de trânsito. “É importante o uso dos equipamentos obrigatórios, o respeito à sinalização e ao limite de velocidade.” O excesso de velocidade é a infração com maior número de autuações na cidade, seguida por estacionamento irregular e avanço de sinal vermelho. O primeiro e o último estão diretamente ligados a acidentes no trânsito, conforme o chefe do Departamento de Fiscalização da Settra, Paulo Peron Júnior.

De acordo com Peron, o sistema não informa as infrações de trânsito por tipo de veículo. No entanto, somente entre as infrações específicas para motocicletas, 241 autuações foram emitidas neste ano. “É claro que acidentes acontecem em qualquer circunstância, não somente quando há infração. Mas, muitos poderiam ser evitados se os motoristas respeitassem as normas de trânsito”, pontua.