LINHA ABERTA


Por Tribuna

19/12/2014 às 07h00- Atualizada 26/12/2014 às 05h00

Foi o democrata John Kennedy o responsável pelo rompimento com Cuba, no ápice da Guerra Fria, por conta da crise dos mísseis e da frustrada ação americana na Baía dos Porcos, ainda no início dos anos 1960. Coube a outro democrata, Barack Obama, reabrir a linha e reatar as relações, numa ação considerada histórica por ambos os lados e pela opinião pública internacional. Ainda falta o Congresso americano, de maioria republicana, aprovar o fim do embargo econômico, peça-chave para as novas relações, mas é pouco provável que, a dois anos da próxima eleição, ele fique contra uma decisão esperada há tempos. Afinal, como justificou o dirigente americano, o bloqueio não funcionou, sendo apenas ponto de tensão entre os vizinhos e de punição não ao Governo mas ao povo cubano, apartando famílias, hoje divididas entre Miami e Havana.

Os efeitos do gesto só o tempo dirá, mas suas consequências podem ser as mesmas que levaram ao desmantelamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, quando seu principal dirigente, Mikail Gorbachev, abriu o país ao mundo e deu fim a uma união forjada pela força dos tanques, deixando como rastro uma tensão permanente entre etnias, hoje abrigadas em seus Estados-Nacionais. A revolução cubana também foi vencida pelos novos tempos, nos quais não há mais condições de isolamento num mundo globalizado pela internet.

O fim do embargo econômico, portanto, será a peça fundamental nesse acordo, pois há interesses mútuos em jogo. País que atua fortemente no mercado, os EUA ganham uma nova praça para seus investimentos, e a extensão desses novos negócios será determinante para a decisão do Congresso. O presidente Barack Obama também se afasta da síndrome do pato manco, própria de presidentes em segundo mandato que não conseguem repetir a performance da primeira gestão que lhes garantiu a renovação pelas urnas após quatro anos de poder.