Violência em assalto de celulares

Orientação é para que juiz-forano fique atento ao usar celular (Olavo Prazeres/22-06-16)
Os casos de roubos a pedestres registrados na cidade estão sendo acompanhados de violência. Geralmente sob o efeito de alguma substância entorpecente, criminosos socam, chutam e empurram contra o chão suas vítimas, que, às vezes, são ameaçadas com facas e até mesmo com arma de fogo. Quem já viveu uma situação desta garante que não é fácil lidar com o trauma e voltar a andar nas ruas sem medo. E há motivos para preocupação. Líder na preferência dos ladrões, os celulares colocam os pedestres como alvos fáceis. O roubo do telefone em Juiz de Fora cresceu 27% entre janeiro e abril deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2015, passando de 214 para 273. A Zona Sul é a região com mais ocorrências, comuns contra estudantes na porta das escolas e nos pontos de ônibus. A área central aparece em segundo lugar.
O aumento foi identificado por levantamento realizado pela Polícia Militar, que demonstrou preocupação com a maior incidência desses crimes e pede a conscientização da população, a fim de que adote medidas de prevenção para inibir o delito. Os 273 casos registrados até abril representam 53% do total dos 516 roubos consumados em geral. Às vezes, o aparelho era alvo da ação criminosa ou estava entre os pertences roubados da vítima, sempre com envolvimento de algum tipo de violência ou ameaça.
A explicação para que os celulares sejam os preferidos dos ladrões, conforme a assessora de comunicação do 2º Batalhão de Polícia Militar, tenente Evelyn Souza, é devido ao fato de os aparelhos estarem presentes em todos os ambientes. “Ele é de fácil acesso e apresenta facilidade para ser roubado, uma vez que as pessoas contribuem para isso, exibindo o aparelho, utilizando-o com desatenção. Depois de roubado, pode ser ocultado, por exemplo, no bolso. Há uma oferta muito grande, sem falar na questão do valor, que aumenta a cobiça. Pode ser comercializado rapidamente e até trocado”, ressalta a oficial.
A posse de celular para crianças e adolescentes é tida pela PM como fator de risco. “Atualmente, os alunos levam para a escola o aparelho, isso faz com a que porta dos estabelecimentos de educação seja frequentada pelos criminosos. “Os pais devem orientar seus filhos a não usarem os equipamentos em qualquer lugar. O melhor é, em caso de necessidade, a criança se dirigir até um local seguro, no interior da escola, na presença de pessoas conhecidas, para evitar que seja monitorada e, posteriormente, vítima de assalto.”
Os roubos são marcados, inclusive, pela ousadia dos criminosos que utilizam táxis, motocicletas e até bicicletas para a prática do assalto. Na madrugada do último dia 20, dois homens de 20 e 24 anos foram presos após roubarem o celular de uma pessoa, fugirem de táxi e ainda tentarem assaltar o motorista. A dupla foi capturada no Bairro Centenário, depois que o taxista denunciou o roubo à PM. Já no dia 15, um adolescente, no Bairro Sagrado Coração, foi roubado por assaltantes que contaram com uma moto para a fuga. A vítima disse que estava na porta de sua casa, por volta de 18h30, quando os criminosos chegaram. Eles simularam estar amados e exigiram que o adolescente entregasse o celular. Diante da negativa, agarraram o jovem pelo pescoço e roubaram o aparelho.
No dia anterior, uma estudante, 15, desmaiou depois de ser atacada por um assaltante de bicicleta enquanto caminhava pela Avenida Rio Branco. Ela retirou o celular do bolso, quando foi abordada por um homem numa bicicleta. Ele jogou o veículo em cima dela, que caiu no chão. Em seguida, o ladrão arrancou o telefone da mão da estudante e fugiu pedalando pela pista de ônibus.
Vítima supera trauma alterando rotina

Casos são mais frequentes na Zona Sul e região central (Olavo Prazeres/22-06-16)
Permanecer no ponto de ônibus ganhou contornos dramáticos para a administradora de empresa, que foi empurrada no meio da Avenida Presidente Itamar Franco, sob o risco de ser atropelada, durante tentativa de assalto registrada perto do Independência Shopping. Com hematomas no corpo e usando uma munhequeira, a mulher, de 35 anos, contou que teve que mudar sua rotina depois da agressão.
Como a maioria das vítimas, ela tinha um celular nas mãos, quando foi abordada pelo assaltante em um ponto de ônibus onde tinha o costume de permanecer. “Estava sentada, passou uma moça por mim, e o bandido surgiu atrás dela. Acho inclusive que ela seria o alvo, mas quando ele me viu sentada com o celular, me achou um alvo mais fácil. Foi tudo muito rápido, nunca tinha sido assaltada e fiquei sem saber o que fazer. Ele se jogou em cima de mim. Na hora pensei que estivesse bêbado e que tivesse tropeçado. Ele não estava armado e usou da sua força para tomar meu celular e minha bolsa. Na hora, eu segurei tudo, e ele tentou arrancar. Foi quando me jogou no chão e me deu dois chutes. Comecei a gritar. Ele me levantou e me jogou no meio da rua, mas não tinha carro passando na hora. Comigo no chão, ele conseguiu pegar meu celular e minha bolsa, mas agarrei as pernas dele. Ele tropeçou e deu tempo dos taxistas me ajudarem”, relatou. O assaltante foi capturado pela Polícia Militar, depois de ser segurado por taxistas.
Enquanto ele estava imobilizado no chão, fez ameaças à mulher. “Disse que naquele dia mesmo sairia da cadeia e voltaria ao ponto para cometer mais assaltos. Mas também chegou a pedir desculpas e que tinha um filho passando fome em casa. As primeiras noites, depois da agressão, foi difícil para dormir e tive que tomar calmantes. Agora mudei de ponto, que era o melhor para mim, onde também conseguia pegar carona. Estou medrosa, quando alguém fala mais alto na rua, agarro minha bolsa. Deixei de sair à noite. Sempre fiz academia depois do trabalho e agora suspendi, pois não tenho segurança para andar na rua”, desabafou a moradora da região.
Roubos são para manutenção do vício
De acordo com a tenente Evelyn Souza, as ocorrências de roubo de celular, assim como os roubos em geral, sempre envolvem algum tipo de violência ou ameaça. Todavia, a militar ressalta que os casos, na maioria das vezes, são acompanhados de agressão e não há um histórico de violência grave. “Contra o transeunte, geralmente, o que acontece é uma ameaça, uma agressão. O assaltante diz que está armado, mas muitas vezes não está. Ele usa deste artifício para intimidar sua vítima. Ele não tem a intenção de matar ou machucar, mas levar o celular. Não temos dados oficiais, mas nossa experiência mostra que estes casos estão vinculados à questão do uso de drogas, já que o celular é utilizado para conseguir entorpecente na venda ou na troca. Claro que consideramos isso um tipo de violência, mas de menor gravidade”, pontua a tenente.
Prevenção tecnológica
Segundo ela, a vítima jamais deve reagir e sempre entregar o que for solicitado pelo assaltante, a fim de evitar o pior. “O ideal é tentar coletar o máximo de características do autor, sua rota de fuga, para acionar a PM e contribuir para prisão. Muitas pessoas deixam para comunicar a polícia dois dias depois, assim é impossível que o autor seja localizado”. A militar lembra que muitos aparelhos têm aplicativo de localização e de busca. “É importante que estes recursos sejam acionados, pois têm possibilitado o êxito em alguns casos. As pessoas ainda devem saber que, por meio do IMEI (número de identificação do celular), é possível bloquear o aparelho, isso gera a perda de interesse do infrator pelo celular”, orienta Evelyn.
A tenente explica que o IMEI fica localizado dentro do aparelho no alojamento da bateria. Para obtê-lo, o usuário pode ainda ligar para *#06#, a fim de que o número apareça na tela. De posse dos algarismos, a pessoa deve guardá-lo e, em caso de roubo, ligar para a operadora bloquear o aparelho.
Oportunismo
A militar afirma que a tropa da PM é treinada e orientada para agir contra este tipo de crime. “O roubo contra pedestre depende muito do momento, pois os ladrões aproveitam a oportunidade. Não é fácil de ser monitorado, por esta razão trabalhamos com a orientação da população, para que o próprio cidadão possa nos auxiliar nesta prevenção, adotando medidas de autoproteção”.









