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Audiência debate enfrentamento ao abuso sexual


Por Guilherme Arêas

20/05/2016 às 19h09- Atualizada 20/05/2016 às 19h16

Foto: Leonardo Costa/20-05-16
Foto: Leonardo Costa/20-05-16

Na audiência pública que encerrou a segunda semana de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, realizada nesta sexta-feira (20) na Câmara Municipal, chamou a atenção dos presentes o depoimento da dona de casa M., 55 anos. Ela foi violentada sexualmente aos dez anos e expôs a dor que carrega pelas marcas do abuso praticado por um ente ligado à sua família. “Com dez anos de idade, eu fui uma vítima dessa violência horrível, nojenta. Só quem sofre essa dor é que sabe. Traz problemas psicológicos graves, é uma coisa que nunca mais se esquece. Traz bloqueios até para você se relacionar com outras pessoas. É uma coisa muito séria porque vem de dentro do seio da própria família”, disse. M. foi violentada pelo marido de uma prima.

A audiência foi convocada pelo vereador Jucelio Maria (PSB) e reuniu representantes de secretarias da Prefeitura de Juiz de Fora, polícias Militar e Civil, Guarda Municipal e entidades ligadas à causa da criança e do adolescente. Na reunião, foi deliberada sobre a criação de um fórum permanente de discussão e pela criação do Plano Municipal de Enfrentamento ao Abuso e Exploração da Criança e do Adolescente pelos conselhos representativos.

Além das propostas, a ideia é também constituir um centro de resiliência para garantir tratamento psicológico continuado às vítimas. Apesar da ausência dos deputados convidados para a reunião, foi encaminhada aos seus representantes a proposta para a criação de uma Delegacia Especializada de Atendimento a Criança e ao Adolescente, além de um Centro Integrado ao Adolescente autor de ato infracional. Ambas as propostas devem ser levadas à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

Segundo Jucelio, para além dos dados que são registrados pelos órgãos competentes, a subnotificação é ainda uma das preocupações para o enfrentamento do problema. “Vamos fazer um apanhado a partir dos dados divulgados. Acreditamos que vai estar aquém daquilo que é a realidade, já que as pessoas nem sempre divulgam, nem sempre denunciam, mas a violência existe”, afirmou o vereador.

O secretário de Desenvolvimento Social, Abraão Ribeiro, comparou dados de anos anteriores colhidos pela pasta e considerou que há uma redução dos casos notificados. No entanto, destacou os desafios que ainda são grandes. “Tentamos fazer com que a criança e o adolescente tenham o seu direito garantido e que este não seja violado. É grande a complexidade do tema, estamos avançando e queremos ampliar a rede de serviços de assistência”, disse.