Celebridades e anônimos no revezamento da tocha olímpica em Juiz de Fora
Atualizada em 10/05/16, às 15h07
Das mãos do juiz-forano Giovane Gávio, o primeiro brasileiro a conduzir a tocha olímpica dos Jogos Rio 2016, a chama iniciou na Grécia o percurso que vai contemplar cerca de 12 mil condutores em mais de 300 cidades brasileiras, totalizando 20 mil quilômetros por terra. No próximo domingo, o símbolo máximo das Olimpíadas volta para as mãos de 64 juiz-foranos, famosos e anônimos, no revezamento da tocha por Juiz de Fora. A chama chega ao município às 17h24, quando inicia um percurso de pouco mais de dez quilômetros entre o Parque da Lajinha e o Terreirão do Samba.
A lista dos condutores será divulgada oficialmente apenas na próxima sexta-feira, mas os que foram confirmados já demonstram ansiedade pelo momento histórico. A Tribuna listou quase 30 deles (ver lista abaixo) e conversou com alguns sobre as expectativas de conduzir o maior símbolo dos Jogos Olímpicos. Parte dos condutores foi escolhida pelo próprio Comitê Rio 2016. Outros foram selecionados após terem suas histórias de vida contadas e selecionadas em ações de marketing lançadas pelos três patrocinadores do revezamento: Bradesco, Nissan e Coca-Cola.
A maioria dos condutores tem relação com o esporte. Mundialmente famosos como Marcia Fu, André Nascimento e Andrade estão entre os que vão carregar a tocha pelas ruas de Juiz de Fora. Outros esportistas conhecidos na cidade e região engrossam o time, como o ultramaratonista Gláucio Monte-Mór, o corredor e guia de atletas cegos Gedair Reis e o técnico de voleibol Flavio Villela, que já treinou campeões olímpicos como Giovane Gávio e André Nascimento. Os atletas paralímpicos também têm vez, com representantes como o mesatenista Alexandre Ank e o paratleta da equipe de corridas do Clube Bom Pastor, Felipe de Souza Lima.
Aos 25 anos de idade, Felipe é símbolo de como o esporte pode ser uma ferramenta de inclusão social. Um defeito congênito da coluna, chamado mielomeningocele, o impede de andar. Mas o jovem atleta nunca achou que a cadeira de rodas impedisse a prática esportiva. “Comecei a competir nas corridas aos 9 anos de idade, porém minha relação com o esporte vem bem antes disso”, explica o paratleta que já se dedicou ao basquete e à natação. “A expectativa é de muita emoção, alegria e muita festa no dia da tocha”, define.
Medalhista em 1996, nas Olimpíadas de Atlanta, Marcia Fu espera viver uma experiência diferente ao carregar pela primeira vez uma tocha olímpica, justamente em sua cidade natal. “Fazemos parte de uma história. Consegui levar o nome de Juiz de Fora para o mundo. Estou muito feliz de poder carregar a tocha na minha cidade. Espero que todo juiz-forano compareça às ruas.”
Região
Antes de chegar a Juiz de Fora, no final da tarde do próximo domingo, a tocha já terá passado, no mesmo dia, pelos municípios de São João del Rei, Tiradentes e Barbacena. No dia seguinte, chega a Bicas, Leopoldina e Muriaé. Na Região, os condutores também demonstram expectativa. “Tive oportunidade de falar sobre a minha experiência com dança, arte e esporte e como isso foi fundamental para me tornar a profissional que sou e fazer escolhas positivas na minha vida. Espero conseguir levar essa mensagem de paz e união que a tocha olímpica representa”, conta a professora de dança Aline Velozo, 26, que conduzirá a tocha por São João del-Rei.
De Juiz de Fora, o empresário e professor de educação física Anderson Occhi também foi selecionado para ser um condutor na cidade história. Ele foi estimulado a contar sua história de vida no site de uma das empresas patrocinadoras. “Antes de entrar para a educação física, trabalhei com muita coisa inusitada: bordando calcinha, instalando telefone, recuperando para-choque plástico.” A resposta positiva na promoção de marketing surpreendeu o professor. “Agora a expectativa é muito grande. Contando os minutos para chegar o dia 15.”
Simbolismo
A chama olímpica é um importante símbolo na história dos Jogos Olímpicos e representa a paz, a união e a amizade entre os povos. A tradicional cerimônia de acendimento na cidade grega de Olímpia, berço dos Jogos da Antiguidade, aconteceu no dia 21 de abril. O revezamento no Brasil começou por Brasília, em 3 de maio. A chama é conduzida em um grande revezamento que leva a mensagem olímpica para além da cidade-sede e que termina com o acendimento da pira na cerimônia de abertura dos Jogos, no dia 5 de agosto, no Estádio do Maracanã.
Como um dos principais atributos de inovação da tocha olímpica Rio 2016, os segmentos se abrem, revelando elementos de brasilidade: diversidade harmônica, energia contagiante e natureza exuberante, com o solo, o mar, as montanhas, o céu e o sol representados nas cores da bandeira do Brasil.
Apesar de ser projetada para resistir à chuva, ventos fortes e outras condições climáticas, não é incomum que a chama se apague. Nesses casos, ela é acesa por uma espécie de backup do fogo, que segue junto com a organização do revezamento.
Aline Velozo
26 anos, professora de dança, vai conduzir a tocha em São João del Rei
“Espero conseguir levar essa mensagem de paz e união que a tocha olímpica representa.”
Anderson Occhi
45 anos, empresário, professor de educação física e colunista da Rádio CBN Juiz de Fora, vai conduzir a tocha em São João del Rei
“A expectativa é muito grande. Contando os minutos para chegar o dia 15.”
Arthur Santana
27 anos, servidor público
“Se, só de ser escolhido, já foi perfeito, para esse evento único, que é a condução da tocha olímpica, vai ser um evento engrandecedor. Tenho certeza que vai ser perfeito e mágico esse momento.”
Erika Neves
48 anos, estudante de educação física
“É com muito orgulho e honra que sou uma condutora da tocha olímpica, um símbolo de união e paz entre os povos.”
Felipe de Souza Lima
25 anos, paratleta e formado em educação física
“A expectativa é de muita emoção, alegria e muita festa no dia da tocha.”
Flavio Villela
54 anos, técnico de vôlei e professor
“Acho que vai ser difícil conter tanta emoção. Quero curtir cada segundo desse momento.”
Gedair Reis
60 anos, treinador e guia voluntário de atletas cegos
“Com a chegada da tocha e dos Jogos Olímpicos, teremos um momento de paz.”
Gláucio Monte-Mór
36 anos, ultramaratonista
“É uma oportunidade de nós, amadores, participarmos dos Jogos Olímpicos de alguma forma.”
Hionara Botti
45 anos, professora
“Minha história foi selecionada porque nasci com uma deficiência visual muito grande. Durante a infância só assistia as crianças brincando. Hoje sou maratonista, corredora de rua e condutora da tocha olímpica, com muito orgulho.”
Karla Belgo
47 anos, nadadora, supervisora de esportes adaptados da PJF e coordenadora do JF Paralímpico
“A condução da tocha estará coroando tanto a minha carreira esportiva quanto os nossos atletas do programa JF Paralímpico”
Márcia Fu
46 anos, ex-jogadora de vôlei e medalhista olímpica
“Consegui levar o nome de Juiz de Fora para o mundo. Estou muito feliz de poder carregar a tocha na minha cidade.”
Sergio Macedo
56 anos, militar do Exército
“Fui escolhido em virtude de um trabalho que fiz com as crianças mutiladas em Angola, em 1996, a serviço da ONU. É uma honra muito grande poder participar desse evento como condutor da tocha, já que ela simboliza a união entre os povos e as nações, o que mais estamos precisando hoje.”
Raphael Cruz
24 anos, estudante de Engenharia Civil da UFJF
“Não vejo a hora de levar um símbolo milenar pelas ruas de nossa cidade e estar ao lado dos ídolos do esporte, André Nascimento e Márcia Fu, que engrandecem ainda mais o momento, que certamente será inesquecível.”
Celso Ciampi Medeiros
44 anos
“Não tinha a menor pretensão de participar. Recebi um e-mail de um colega me passando o link da Coca-cola. Mandei minha história com meu parceiro, o Felipe, com quem eu fazia corridas juntos em Juiz de Fora. Eu o guiava, ele é cadeirante e vai ser um dos condutores da tocha também. Fiquei muito feliz por ser escolhido.”
Outros condutores
Alexandre Ank, 36 anos, mesatenista paralímpico
Andrade, 59 anos, técnico de futebol
André Nascimento, 37 anos, jogador de vôlei
Cesar Romero, 60 anos, colunista social da Tribuna
Daniele Marie Uhebe, corredora amadora, bailarina e administradora do Ballet Misailidis
Jeferson Vianna, 54 anos, professor de judô e chefe do departamento de esportes da UFJF
Jovino Campos, 54 anos, empresário
Kátia Franco, 50 anos, protetora dos animais
Lúcia Rocha, atleta
Luciana de Lima Dusi Campos
Manoel Rezende, coordenador geral do Ibitipoca Off Road
Marcelo Mendes, 36 anos
Moacyr Toledo, 83 anos, ex-jogador do Tupi
Neuza Marsicano, 67 anos, atleta e professora
Tiago Romão, 31 anos, educador físico e ex-ginasta









