Insegurança nos pontos de ônibus

A insegurança tem sido frequente nos pontos de ônibus em Juiz de Fora. Apesar de a maioria dos ataques acontecer durante a madrugada e início da manhã em locais mais desertos, os casos de assaltos já começam a ocorrer durante o dia em trechos de grande circulação de pessoas e importantes vias da cidade, como as avenidas Rio Branco, Itamar Franco, Getúlio Vargas e Brasil (ver quadro). Nos últimos seis meses, houve registro de roubos praticados com agressão, uso de faca, armas de fogo, inclusive com ocorrência de disparos, e utilização de motocicletas e bicicletas para a fuga. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) não tem dados específicos sobre crimes em pontos de ônibus, mas divulgou que os assaltos, de maneira geral, cresceram 20,74% no município, com 1.636 roubos consumados em 2015 contra 1.355 em 2014.
São ações rápidas e envoltas à violência, deixando comunidades assustadas e pessoas feridas. Um exemplo foi o caso da mulher de 39 anos que foi roubada e sofreu hematoma no olho, depois de ter sido jogada no chão e receber diversos chutes enquanto estava caída em um ponto de ônibus, na Avenida Brasil, nas proximidades da ponte do Manoel Honório.
A vítima relatou que aguardava a chegada do coletivo, por volta das 23h, quando um homem a surpreendeu, dizendo que era assalto. Ele solicitou a bolsa da mulher e disse para não reagir, senão ela seria morta. Assustada, a mulher correu, mas foi agarrada e jogada no chão, sendo agredida com chutes. O ladrão fugiu, levando celular, dinheiro, agenda e uma bolsa. Apesar da violência, a Polícia Militar diz que está atenta à situação, principalmente em pontos finais e também nas vias mais movimentadas.
Em entrevista à Tribuna, ela contou que havia outra mulher no ponto, quando o bandido chegou e sentou-se, simulando também estar esperando por um ônibus. “Ele estava bem arrumado. Num determinado momento, anunciou o roubo e me agrediu com vários pontapés”, relatou a vítima, que preferiu não ser identificada, acrescentado que, após o crime, ficou muito desconfiada. “A gente não sabe de onde um bandido pode surgir e não dá nem para suspeitar e tomar uma medida preventiva, pois pode ser qualquer um.”
Não houve traumas, mas sua rotina precisou ser alterada para sentir-se mais segura. “O sentimento que ficou foi o de impunidade. Agora estou pegando carona, dependendo de outras pessoas, porque não fico mais naquele ponto, que era o melhor para mim. Lá, a iluminação é precária, o lugar é deserto depois de certo horário e não é um trecho que recebe patrulhamento frequente. Ficamos à deriva”, relatou a vítima, que é moradora de Bicas e, no dia do assalto, fazia o primeiro treinamento na empresa que havia começado a trabalhar no Manoel Honório. O assalto aconteceu em fevereiro, e a vítima lamentou o não funcionamento de uma cabine da Polícia Militar que ficava próximo ao local, na frente de um supermercado.
A falta de iluminação é um problema recorrente em muitos pontos da cidade, assim como o mato alto e a manutenção precária. De acordo com o presidente da União Juizforana de Associações Comunitárias de Bairros e Distritos (Unijuf), Geraldo Magela de Paiva, a entidade, que congrega 167 associações de moradores da cidade, tem recebido relatos de insegurança nos pontos. “O mato tira a visibilidade e, quando há uma iluminação precária, o cenário é de insegurança. Há pessoas que precisam esperar o ônibus até tarde da noite, carecendo de mais patrulhamento e melhorias na iluminação.”
Tiros no começo da tarde leva pânico
Em razão da gravidade, devido à ocorrência de tiros, o assalto cometido contra uma adolescente, 17, em um ponto de ônibus no Bairro Santa Catarina, por volta das 13h, quando estudantes circulavam pela rua, após a saída da escola, deixou assustados os moradores do entorno. A jovem aguardava o coletivo em um ponto da Rua Engenheiro José Carlos Moraes Sarmento, quando foi abordada por dois homens de posse de um revólver. A dupla tomou o celular da garota e, uma segunda vítima, que também estava no local, assustou-se e saiu correndo. Diante do ocorrido, o ladrão armado fez disparos para o alto e fugiu, levando o celular. Passageiros que estavam no ônibus da linha 540 (São Pedro) presenciaram o assalto e entraram em pânico com medo de bala perdida.
A dona de casa Kátia da Silva Nascimento, 38 anos, disse que o episódio chocou os moradores. “Esta rua é bem movimentada. Há diversos estabelecimentos por aqui. Nem assim o bandido se sentiu inibido para tentar roubar a menina. Se não bastasse a ousadia, ele ainda deu tiros a esmo. Imagina se tivesse acertado em alguém, já que era horário de saída da escola e havia muitos pedestres.”
Alunos de faculdades também reclamam da insegurança durante a espera de coletivos. No Bairro Cruzeiro do Sul, já houve registros no ponto entre um supermercado e uma universidade privada. Segundo os estudantes do período noturno, o trecho fica deserto, e quem perde o ônibus corre riscos. Um caso registrado pela PM, neste ponto, aconteceu em fevereiro, quando uma jovem, 19, teve o seu celular roubado, depois de ter sido ameaçada por um homem com a ponta de um guarda-chuva.
Leitores enviaram mensagens à Tribuna relatando a insegurança naquele trecho. “Minha filha saiu ontem à noite da faculdade e foi assaltada à mão armada por um adolescente de no máximo 15 anos. Ele levou tudo, e nada foi feito”, afirmou a leitora. Outra comentou que é estudante da instituição e teve amigas assaltadas. “No mês passado, assaltaram duas meninas da minha sala também à mão armada e ainda teve outra tentativa contra um rapaz uns dias depois. Lá precisa de policiamento urgente!”
No Bairro Estrela Sul, um ponto de ônibus também é motivo de temor para estudantes de uma faculdade, onde um adolescente, 14, foi detido pela PM por tentativa de assalto. O garoto foi apreendido com faca, após permanecer toda a manhã em atitude suspeita, observando estudantes e transeuntes. Ele chegou a acompanhar um pedestre, até o homem sair correndo e se proteger numa academia de ginástica próximo ao ponto.
Já num ponto na Avenida Eugênio do Nascimento, próximo ao Pórtico Sul da UFJF, dois jovens de 18 e 19 anos foram vítimas de um assalto ao desembarcarem de um coletivo. As vítimas contaram que foram abordadas por dois homens armados com um facão. A dupla anunciou o roubo e tomou os aparelhos celulares dos jovens. “Não dá para ficar no ponto sozinha. A gente tem que estar sempre em grupo, para não ficar com medo”, afirmou a estudante Tábata Gonçalves, 21 anos. “No período de férias das faculdades, é pior, porque fica tudo muito deserto. É perigoso tanto para o homem, quanto para a mulher”, disse Cleide Assis, 32, que trabalha na região.
Balas perdidas no meio da manhã
Recentemente, uma ocorrência envolvendo bala perdida num ponto de ônibus assustou os moradores do Teixeiras. No último dia 31, durante a manhã, um homem, 21, e uma mulher, 66, foram alvejados quando estavam em um ponto, no trecho do Acesso Sul perto da esquina das ruas Custódio Furtado de Souza e Professora Noêmia de Mendonça. Segundo a PM, eles foram feridos por tiros disparados pelos ocupantes de um Fiat Palio preto contra um Hyundai branco, por volta das 10h. As vítimas foram baleadas no abdômen e no pé, respectivamente.
Quem mora no bairro reclamou da criminalidade. Residentes alegaram que, no passado, os crimes davam-se por casos de arrombamentos de residências e estabelecimentos comerciais, mas, atualmente, passou a ter contornos mais violentos. Na época, o comando da 32ª Companhia da PM considerou os casos pontuais e afirmou que já estava tomando as providências para garantir a segurança na região, inclusive com reforço das equipes da Rotam e Choque da 4ª Companhia de Missões Especiais (CME).
O assessor de comunicação da 4ªRegião de Polícia Militar (4ª RPM), major Marcellus Machado, afirma realizar patrulhamento com a atenção voltada para ações suspeitas nos principais corredores da cidade, como forma de inibir delitos. “Desta forma, temos foco nos pontos de ônibus, naqueles que ficam nos pontos finais e também nos com grande aglomeração de pessoas, com a realização de abordagens, caso necessário”, afirmou o militar, acrescentando que as novas tecnologias podem ajudar na segurança dos usuários. “Hoje já há aplicativos que mostram o horário que o ônibus vai passar. Então, deve ser utilizado para que a pessoa fique o menor tempo possível no ponto.” Para ele, velhas dicas de autoproteção também são importantes, como manter os pertences sempre nos bolsos da frente e bolsas nunca na parte trás.
Ainda de acordo com o militar, as companhias da PM trabalham com dados que apontam onde há pontos de vulnerabilidade e têm orientação para contemplar com patrulhamento os horários e locais mais críticos. “A comunidade também pode ser parceira sempre comunicando fatos que saiam da rotina, para que possamos verificar e prevenir os crimes.”
Manutenção
No que diz respeito à precariedade dos pontos de ônibus, a Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) afirma que, em caso de pedido de manutenção, a população deve ligar para as Regionais de Fiscalização. Os telefones para ligação são no Centro (3690-8381 ou 8379), na Zona Sul (3690-8304), Sudeste (3690-7709), Leste (3690-7882), Cidade Alta (3690-8288), Norte (3690- 7929 ou 7883).









