Água de Chapéu D’Uvas chega este mês a ETA
As obras de interligação da adutora de Chapéu D’Uvas até a Estação de Tratamento de Água (ETA) Marechal Castelo Branco, que fica na Represa João Penido, devem ficar prontas até o fim deste mês. Esta é a previsão da Cesama que, após finalizar as obras físicas, ainda precisará de até 30 dias para promover os testes operacionais. Em uso, este braço da adutora principal deverá dar tranquilidade ao abastecimento no município, já que será possível poupar o recurso de João Penido, principalmente no período de seca, e servir os consumidores com a água do manancial Chapéu D’Uvas, que é 11 vezes maior. As intervenções são feitas pela Infracon Engenharia e Comércio Ltda., empresa que venceu a licitação pública com o lance máximo previsto no edital, de R$ 11.601.230,41. A companhia custeia os trabalhos por meio da antecipação temporária da revisão tarifária de água, de 10,12%, em vigor desde 1º de agosto/2015 com término no fim deste mês. Depois, entrará em vigor a revisão definitiva autorizada pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae/MG), de 16,87%.
Segundo o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, 80% das atividades já estão concluídas. A expectativa, quando do lançamento do edital, era iniciar as obras em 1º de setembro e concluí-las no fim de março, já considerando o período de testes operacionais. No entanto, em razão do trâmite burocrático do certame, a execução da obra começou com 45 dias após o previsto. “Desde então, estamos tirando este atraso. O empreiteiro empenhou para aumentar a produção e diminuir esta diferença. Até antes das fortes chuvas de janeiro, nosso cronograma contabilizava 20 dias de atraso.”
ETA-CDI
A construção do braço da adutora foi anunciada no ano passado como uma forma de garantir tranquilidade ao abastecimento de água e evitar transtornos durante estiagens prolongadas. Uma das ideias era aproveitar, ao máximo, o potencial de armazenamento de recurso de Chapéu D’Uvas, que ainda permanece subutilizada. Isso porque a ETA preparada para receber sua água, no Distrito Industrial, conhecida como ETA-CDI, apresenta falhas estruturais desde sua ampliação. Antes de Chapéu D’Uvas, ela já era usada pelo município para tratar a água do Ribeirão Espírito Santo, que é um manancial de passagem. Desta forma, dos 900 litros por segundo que podem ser captados, outorgados pela Agência Nacional de Águas (ANA), hoje saem de Chapéu D’Uvas cerca de 250 litros por segundo, que é a capacidade física de tratamento instalada, já considerando o que é captado do ribeirão.
Conforme Marcelo, a companhia cobra na Justiça, da empreiteira responsável pela ampliação, as obras de recuperação da ETA-CDI. Atualmente, é aguardada a nomeação de um perito para fazer as avaliações necessárias.
Aumento de demanda depende de energia
A ideia da Cesama é continuar usando a ETA-CDI para tratar água de Chapéu D’Uvas, mas dividindo a produção com a ETA Marechal Castelo Branco. Na barragem, há três bombas instaladas para captar a água do lago até a adutora, sendo duas consideradas titulares e uma reserva, mas apenas uma está ligada. Conforme o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, um equipamento pode puxar, em média, até 400 litros de água por segundo, embora isso dependa do nível do manancial. Uma vez na adutora, a água chega às estações por gravidade.
A previsão é poder usar, ainda, a segunda bomba, mas para isso é necessária aumentar a oferta de energia elétrica em Chapéu D’Uvas. “Com a Cemig, estamos encaminhado (para que aumente a carga de energia), e esperamos ter esta possibilidade em concomitância com o fim do teste operacional para que possamos ampliar a demanda. Mas ainda assim temos um plano B e, se necessário, podemos compensar a falta de energia com geradores.”
Para compreender
O município precisa, hoje, de aproximadamente 1.500 litros de água por segundo para que não falte água a nenhum consumidor. Ou seja, mais da metade do recurso poderia sair de Chapéu D’Uvas, preservando as demais represas. Castelo Branco, por exemplo, pode tratar até 500 litros de água por segundo, o que não significa que João Penido será totalmente preservada. “É importante uma mistura destas águas para chegarmos ao melhor tratamento. Só que, considerando João Penido mais cheia, até mesmo na estiagem, poderemos fazer a renovação de sua água.” Como a Tribuna já informou em outras reportagens, este trabalho não é feito desde 2013, e é considerado essencial para manter a qualidade do recurso. Nesta atividade, a água é gradativamente descartada, permitindo a limpeza do fundo do lago.









