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É ‘apenas’ rock and roll – mas eles gostam


Por JÚLIO BLACK

12/02/2016 às 07h00- Atualizada 12/02/2016 às 17h02

Quarteto surgido em 1962 faz quarta série de apresentações no país, em turnê que vai passar por vários países da América Latina

Quarteto surgido em 1962 faz quarta série de apresentações no país, em turnê que vai passar por vários países da América Latina

O tempo passa, mas os Rolling Stones continuam por aí. Mesmo com seus quatro integrantes remanescentes integrando o rol de sexagenários e septuagenários do rock, Mick Jagger, Keith Richards (ambos com 72 anos), Charlie Watts (74 anos) e Ron Wood (o “caçula”, com 68), ainda encontram em cada um – dólares a mais na conta bancária à parte – a centelha que mantém o rock and roll vivo em pleno século XXI, a despeito de toda a propaganda de que “o rock morreu”. É o mesmo espírito que levará milhares e milhares de fãs ao Rio de Janeiro, no próximo dia 20, e a São Paulo (dias 24 e 27), para conferir aquelas que podem ser as últimas apresentações do grupo inglês em terras brasileiras, pois os Stones prometem que, após a turnê, eles vão se apresentar apenas nos Estados Unidos e Europa. Para quem estiver a fim de uma prévia ou não poderá conferir os bons velhinhos ao vivo, o Martiataka faz show-tributo neste sábado, às 23h, no Cultural.

Esta será a quarta vez que a banda vem ao Brasil depois das turnês de 1995, 1998 e da apresentação gratuita na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 2006. Muitos fãs que acompanharam os Stones em sua primeira aventura no patropi prometem estar lá mais uma vez, acompanhando com a mesma animação de outrora. É o caso do jornalista Marcos La Falce, que esteve no Maracanã em 1995, durante a turnê de divulgação de “Voodoo lounge”. Ele vai numa caravana com cerca de dez pessoas, entre parentes e amigos, para sentir a mesma vibração de 21 anos atrás, a mesma que já conferiu pela TV em outras ocasiões. “Vou neste show porque a banda está se despedindo. É a banda mais icônica da atualidade. Para quem gosta de rock, os Stones são um símbolo. Surgiram na mesma época que os Beatles, e ainda estão por aí”, diz. “Assisti pela TV ao show deles no Hyde Park, em Londres, em 2013, repetindo o show de 1969 em homenagem ao Brian Jones, morto três dias antes, e você percebe que a maturidade leva à perfeição, mesmo que tenham diminuído a produção”, observa.

Com uma carreira tão longeva, La Falce sabe que sempre faltará alguma preferida do público, mas conta com a execução de clássicos como “Start me up” e “Satisfaction”, músicas que fazem parte de sua vida desde o início dos anos 1980, quando foi fisgado pela sonoridade dos ingleses. “Eu já conhecia a banda, mas preferia o rock mais pesado. A influência de outras pessoas me fez buscar as raízes do rock. Eu ouvi o “Tattoo you”, adorei aquele disco, e passei a procurar os clássicos, os primórdios”, conta ele, que hoje tem como álbum preferido “Sticky fingers”, de 1971.

Rock também dá casamento

A professora Ana Christina Brandão Costa esteve nos três shows dos Rolling Stones no Rio, mas não poderia ter como lembrança mais forte tudo o que ocorreu no show de 1995. Foi lá que trocou o primeiro beijo com Ricardo, com quem se casou e vive até hoje em Juiz de Fora – com direito a um filho de 13 anos. Como toda história de amor, não poderia faltar algum contratempo. “Eu morava em Juiz de Fora e ele, no Rio. Eu fui para o show no Maracanã numa excursão e combinamos de nos encontrar em uma das bandeirinhas de escanteio do campo, mas quando chegamos lá, não havia nenhuma. Mas depois conseguimos nos encontrar. Eu gostava dos Stones, mas o Ricardo já era apaixonado. Desde então, passei a gostar ainda mais”, relembra Ana, que diz ter até hoje a camisa da excursão.

Mesmo sem ter conseguido comprar ingresso para o show do dia 20, Ana Christina tem experiência suficiente para saber quais são os pontos fortes dos Stones. “As performances deles sempre chamam a atenção, a banda consegue prender o público. Nós vemos que há paixão pela música. Tocam com muita vontade, e isso acaba fazendo com que eles sempre conquistem mais pessoas.”

Sobre o filho, Eduardo, ela diz que ele é mais um que vai sendo conquistado pelo rock do grupo inglês. “Ele gosta porque a gente escuta. Acho que pela história toda que passamos, pelo fato do pai gostar muito da banda, tudo isso vai envolvendo-o também.”

Pela ‘experiência genuína’

Lucas Duarte, baterista do Basement Tracks, teve seu primeiro encontro com os Stones em 2005, mas parece ter ficado com aquela sensação de que “não valeu”. “Eu estava muito longe do palco, vi tudo apenas do telão, não foi uma experiência genuína. Dessa vez pretendo ver o show mesmo. Eu e a Júlia Lacerda (namorada) vamos ficar na arquibancada, quero ver o Mick Jagger de fato.”

Os Rolling Stones fazem parte da vida do músico desde a infância. “Meu pai colocava os discos de vinil para tocar, a admiração só foi aumentando com o tempo. Os Stones estão no meu top três, junto com os Beatles e o Pink Floyd. ‘Exile on Main Street’ é o meu preferido, um dos melhores álbuns de todos os tempos.” Quanto ao setlist do show, Lucas diz ter olhado o que a banda vem tocando na atual turnê e está satisfeito com a programação.

Por fim, falar dos Stones é lembrar de uma banda com 53 anos de estrada, milhões e milhões de álbuns vendidos. Assim como Ana Christina, Lucas vê a paixão pela música como o principal fator para o grupo ser relevante até hoje, mesmo produzindo menos. “O disco de 2005 (‘A bigger bang’) é um dos cinco melhores da banda. Acho que o fato de continuarem na estrada é louvável, afinal são senhores ali.”

Martiataka os Stones

Os Rolling Stones começam a turnê nacional no próximo dia 20, mas já neste sábado os fãs poderão fazer o seu aquecimento com o show “Like a Rolling Stone”, que a banda Martiataka apresenta no Cultural. Segundo o vocalista Del Guiducci, não vão faltar clássicos dos Stones para o público cantar e dançar junto, entre eles “Street fighting man”, “Jumpin Jack Flash”, “Angie” e a obrigatória “Satisfaction”. No geral, o Martiataka vai passar por todas as fases da banda, dos primórdios dos anos 1960 até o mais recente single, “Doom and gloom”. A noite terá as participações especiais de Christian Marini (percussão), Pedro Brum (guitarra – que fará a apresentação de abertura), e das cantoras Lorena Fernandes e Larissa Cancino.