SEM SAÍDA


Por Tribuna

08/11/2014 às 07h00

Antes mesmo de o TSE declarar o final do processo eleitoral de 2014, diversas legendas iniciaram, ou admitiram, conversações para tornarem-se uma só, resultado de algum tipo de fusão. A causa, o baixo desempenho nas urnas e o risco iminente de darem traço nos próximos pleitos. Algumas delas tiveram representação expressiva no Congresso, como o DEM, ora passando, de pleito a pleito, por um processo de desidratação.

A fusão de legendas não é um caso comum na vida nacional, e algumas tentativas acabaram dando errado. Tão logo terminou o período Arena/MDB, que fizeram o cenário de contra ou a favor no período da ditadura, diversas lideranças começaram a definir seus espaços, formalizando até mesmo alianças impensadas. Os mineiros Tancredo Neves e Magalhães Pinto, rivais históricos desde a memorável disputa pelo Governo no início dos anos 1960, articularam a formação do Partido Popular. A legenda teve tiro curto a despeito dos cardeais que dela faziam parte.

Tancredo e Magalhães estão na história política do país, mas ensaios sobre fusão continuam sendo a prova material do excesso de legendas no país. Só no Congresso, 28 irão assumir as cadeiras da Câmara e do Senado. Hoje, são 22. A reforma política, agora como meta oficial do PT, mesmo não sendo a panaceia para todos os males, poderia criar mecanismos para filtrar as facilidades para criação de legendas. Hoje, basta uma assinatura, e está criado um novo partido.