Um perfeito roteiro de ‘Malhação’

Autora de 14 títulos, Vanessa Bosso escreve nos gêneros romance, sobrenatural, aventura e ficção científica (Fotos divulgação)
Sabe aquele livro que você devora em dois dias e fica querendo saber o que acontece após o ponto final? Esse é o “A aposta” (Novo Conceito, 286 páginas), de Vanessa Bosso, famosa em meio aos consumidores da Amazon. Foi por acaso que a história de Nina e Lex, lançada em 2012 em e-book e relançada recentemente na Bienal do Rio, chegou às minhas mãos. Sem conhecer a autora, me arrisquei nesta aventura adolescente repleta de chantagens, intrigas, vinganças e romance. Caso fosse levada para a TV, daria um perfeito roteiro para “Malhação”. “Foi um livro que comecei a escrever de forma despretensiosa, mas a história me pegou de uma maneira que não consegui parar de escrever. Entrei naquele universo, passava madrugadas escrevendo. Não queria sair daquilo. Estava muito bom. Foi muito surtante de fazer. Quem lê capta a mesma vibração. É viciante”, comenta Vanessa, uma paulista que vive em Ribeirão Preto (SP).
A história é simples, e a linguagem é leve e descontraída. Uma viagem de formatura do ensino médio. Uma aposta perigosa. Lex, o galinha do colégio, terá apenas sete dias para derreter o congelado coração de Nina, a garota que odeia quem use cuecas. Nina enlouquece quando descobre sobre a grande aposta do ano. E agora ela quer sangue: o sangue de Lex. “Estão me acompanhando? Pois, então, é bem provável que o barulho do tapa desferido por Nina em Lex tenha feito o caminho inverso, reverberando nas bordas da galáxia, alcançando até mesmo nossa vizinha, Andrômeda. O rosto do garoto queima como a superfície do sol, e não é apenas pela dor. Ele está enfurecido”, anuncia as linhas iniciais do primeiro capítulo.
Convidada do próximo “Sala de leitura”, que vai ao ar na Rádio CBN Juiz de Fora neste sábado, 16, às 10h30, com reprise na segunda-feira, às 14h30, Vanessa acredita que “A aposta” tem fôlego para muitos e muitos anos. Não é à toa que, não demorou muito, para nascer “A aposta 2”, por enquanto, disponível somente no ambiente virtual. “O próximo livro traz o casamento dos dois. Ele faz o pedido, e ela aceita. Aí volta a Bárbara (a grande vilã) com uma nova vingança. Quatro anos se passaram desde o final do primeiro livro para o segundo. Então, eu conto um pouquinho do que aconteceu neste período”, entrega a escritora, já se dedicando, simultaneamente, à produção de mais dois títulos.
“Estou escrevendo outro chic lit ao estilo “O homem perfeito” (um de seus livros), uma comédia romântica mais feminina. E o outro é algo inexistente no mercado. É um chic lit espacial. Vai ter ficção científica no meio”, adianta, mesmo sem saber aonde as duas novidades vão parar. “Não sei o que vai acontecer com esses dois livros. Espero que sejam impressos, que a editora compre a ideia e publique. Hoje eu tenho um contrato de dez anos com a Novo Conceito. É de exclusividade, mas nem tudo ela é obrigada a publicar. Apresento a obra, e eles me dão um feedback depois.”
Da publicidade para a literatura
Vanessa é uma publicitária que largou a carreira para se dedicar à literatura. Hoje faz, somente, freelancer na área de propaganda. Começou no impresso. Depois, influenciada pelo momento, foi para o e-book. “Esse mercado começou muito bem no Brasil, mas está muito oscilante. Teve uma queda abrupta, e ninguém sabe explicar o motivo. Acho que, quando a Amazon chegou aqui, foi uma explosão porque era uma novidade”, diz ela, arriscando um palpite quanto às preferências dos nossos leitores. “Existe uma cultura aqui no país de ter o livro em mãos, cheirá-lo, passar a página, carregá-lo dentro da bolsa, tê-lo na estante. De e-book, o que vende muito são os eróticos.”
Autora de 14 títulos, sendo 12 lançados, ela se diverte na escrita nos gêneros romance, sobrenatural, aventura e ficção científica. Seu público-alvo é diverso, ainda que sua escrita gere muita empatia entre o público teen. “Escrevo para os adolescentes porque gosto de uma linguagem mais juvenil. Falo assim no meu dia a dia, por isso tenho uma facilidade muito grande para escrever. Mas escrevo para o público mais velho também, mulheres principalmente”, conta. Ela diz não ser influenciada por qualquer escritor e desconhece uma fórmula pronta para alcançar o sucesso nas letras. “Acho que vai muito da editora em que o autor está inserido, na forma como ele se comunica com o leitor. Tem muita gente boa que ainda não estourou. Depende muito do livro, do momento e de merecimento também.”









