PELA FORÇA
A pedagogia da força adotada pelo Conselho Nacional de Trânsito, com a definição de multas de R$ l.915,40 para quem ultrapassar em pontos proibidos, não é bem um passo adiante nas políticas de segurança, mas uma constatação de que as campanhas educacionais não estão funcionando ou são insuficientes para mudar a cabeça dos motoristas que gostam de apostar nos limites, fazendo das rodovias pistas de corrida, e não uma via de transporte.
Se não vai pela educação, vai pela força, estabelece o Contran, mas não bastará pesar na mão para acabar com os riscos nas estradas. A norma só funciona quando há meios eficazes para a sua fiscalização. E aí o país está na contramão. O efetivo dos policiais rodoviários estaduais e federais ainda é aquém da demanda, sobretudo num território de dimensões continentais, com uma das maiores malhas viárias do mundo.
Criar leis tem sido uma rotina nas instâncias de poder na tentativa de reverter situações. O Contran não é o único a adotar o método. Vira e mexe, um parlamentar apresenta propostas de endurecimento como se fossem elas a solução para todos os males sem, no entanto, identificar meios para a sua efetivação. Das instâncias municipais à federal, passando pelos estados, faltam agentes para fiscalizar o elevado elenco de normas. Em situações como essa, a lei cai no descrédito, aumentando ainda mais a sensação de impunidade.











