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Próxima parada: tribunal


Por GUSTAVO PENNA

07/01/2016 às 07h00- Atualizada 07/01/2016 às 11h54

Ex-atacante do Tupi diz ter recebido o equivalente a menos de um mês de salário  (LEONARDO COSTA)

Ex-atacante do Tupi diz ter recebido o equivalente a menos de um mês de salário (LEONARDO COSTA)

Quando acertou sua vinda para o Tupi, no dia 16 de agosto de 2015, o atacante Geraldo sonhava com o sucesso no projeto do acesso à Série B – objetivo conquistado -, mas não imaginava que sairia do clube tendo recebido o equivalente a menos de um mês de salário. É o que alega o novo atacante do Bangu-RJ, que desistiu de esperar a confirmação das promessas da diretoria carijó e está preparado para cobrar o Tupi judicialmente.

Segundo Geraldo, pelo primeiro mês sob contrato, agosto, recebeu menos que os dez dias trabalhados (alega ter ganhado o equivalente a sete dias). Do salário de setembro, afirma ter recebido só a metade, restando um débito de dois meses e meio, se considerado também o mês de novembro, que consta no contrato mesmo com o Carijó já eliminado da Série C. Para o atacante, mais do que a dificuldade financeira, a frustração aumenta com a sequência de promessas não cumpridas.

“O problema é falar que vai acertar em um dia e não cumprir. São muitas promessas, e isso me deixa chateado. Para ser sincero, foram várias datas. Antes do ano novo tive uma conversa pelo WhatsApp com o Cloves (Santos, vice-presidente do Conselho Gestor) e falei que precisava pagar uma conta urgente no dia 30. Perguntei se poderia contar com esse dinheiro, e ele disse que sim. Mas desde o dia 29 não me atende mais. Fico triste pela torcida do Tupi, pelas pessoas corretas que estão lá, mas tenho que pensar na minha família. Tenho contas para pagar, ajudo minha mãe e muitas pessoas dependem de mim. Não posso aceitar esse tipo de situação”, diz Geraldo, que já definiu o próximo passo para receber os valores.

“Não era esse o caminho que eu queria, mas tenho um advogado que está cuidando do caso. Já levantei todas as provas. Depois dessa entrevista, talvez até receba alguma ligação. Das duas, uma: ou vai ser para me pagar ou para falar horrores para mim. O que aconteceu no Tupi, um time guerreiro com uma das menores folhas da Série C, é inadmissível. Isso atrapalha a imagem do clube. Alguns jogadores estão em uma situação pior do que a minha e têm medo de retaliação, mas eu não tenho medo. Estou na minha razão. Vou procurar meus direitos. De uma forma ou de outra vão ter que pagar.”

Além dos salários, os atletas também não receberam as premiações por desempenho. Nesse caso, a diretoria entrou em acordo com as lideranças do grupo e dividiu a quitação em quatro parcelas, com vencimentos entre janeiro e abril.

‘Existe o débito’

Citado nominalmente pelo atacante Geraldo, o vice-presidente do Conselho Gestor do Tupi, Cloves Santos, não atendeu aos diversos contatos telefônicos feitos pela Tribuna na tarde de ontem. A assessoria de imprensa do clube também não obteve sucesso em encontrar o dirigente.

Já o vice-presidente de Finanças do Carijó, Jarbas Rafael, reconheceu que existe uma dívida com o jogador, mas não confirmou se o valor é o mesmo alegado pelo atleta. “Isso eu não vou comentar. Ele veio para o Tupi por conta de um pacote que foi combinado com ele, um valor definido por ter chegado praticamente na parte final do campeonato. Existe um valor pequeno com ele, sim. Mas é pouca coisa e vai ser sanada. Existe o débito, algo possível de ser ajustado, e vai ser ajustado. É algo momentâneo.”