Ouça agora

As peças que se encaixam em janeiro


Por JÚLIO BLACK

05/01/2016 às 07h00- Atualizada 06/01/2016 às 08h31

A programação infantil terá espetáculos como 'Contos de malassombro', do Contaê

A programação infantil terá espetáculos como ‘Contos de malassombro’, do Contaê

'Não-vão-além' é uma das peças locais que poderão ser conferidas na edição deste ano

‘Não-vão-além’ é uma das peças locais que poderão ser conferidas na edição deste ano

'Monstrum', da Fáustica Companhia, é uma das novas atrações da Campanha em 2016

‘Monstrum’, da Fáustica Companhia, é uma das novas atrações da Campanha em 2016

Não vai faltar teatro em Juiz de Fora este mês. A partir desta sexta-feira, a cidade terá quatro semanas de peças encenadas em diversos pontos da cidade, graças à realização da 15ª edição da Campanha de Popularização do Teatro e Dança, organizada pela Associação de Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac/JF). Serão 31 espetáculos (seis infantis e 25 adultos) até 31 de janeiro, totalizando 59 apresentações em espaços como CCBM, Teatro Pró-Música, Cine-Theatro Central, Casa de Cultura da UFJF e Centro de Artes e Esportes Unificados, no Bairro Benfica. Ainda haverá palestras, oficinas e a apresentação dos participantes do último Festival de Cenas Curtas, realizado em 2015 no CCBM. A abertura será nesta sexta-feira, às 19h, no CCBM, com o show do Grupo Ingoma. Os ingressos poderão ser adquiridos no trailer da Apac, no Parque Halfeld, com as entradas custando de R$ 8 a R$ 12.

Segundo o presidente da Apac, Cristiano Fernandes, o evento continua com seu principal objetivo, que é apresentar ao público local a produção teatral juiz-forana, levando aos palcos algumas das peças mais conhecidas e que já fazem sucesso há anos na cidade. Ao mesmo tempo, a programação deste ano terá nada menos que 11 espetáculos estreantes no festival, sendo dois infantis e nove adultos. “As peças infantis que serão encenadas pela primeira vez são ‘Contos de malassombro’ e ‘Se bicho eu pudesse ser’. Das adultas, entre outras, teremos as primeiras apresentações de ‘Monstrum’, da Fáustica Companhia (Belo Horizonte), ‘O ciúme nosso de cada dia’, ‘O casulo das memórias’ e ‘O rabo dos preás'”, destaca Cristiano. “Isso dá um gás muito bom para a Campanha, porque precisamos fidelizar o público que gosta de novidades. Há quem goste dos espetáculos que participam há anos, mas é importante renovar.”

Para quem acha que vale a pena ver de novo, a Campanha retorna com alguns dos espetáculos que sempre marcam presença no evento, como “Minha sogra é um pitbull”, “Como fracassar na vida e ser infeliz no amor”, “Irmãs gêmeas”, “O filho da mãe”, entre outros. Com essa programação, Cristiano espera que o festival alcance o melhor público total já registrado, de 15 mil pessoas – no último ano, foram 12 mil, mas com uma semana a menos de peças. A edição 2016 não terá, mais uma vez, os espetáculos de dança. “Isto se deve, principalmente, a uma questão de agenda, pois muitos grupos e cursos de dança estão de férias nesta época.”

No rumo das artes cênicas

No dia 13, às 19h, haverá a palestra “Os caminhos das artes cênicas” com o jornalista, produtor e promotor cultural João Luiz Azevedo, além das oficinas “A vivência cultural no Tambor Mineiro como mecanismo de aprendizado cultural” (dias 19 a 22) e “Oficina de palhaços” (16 e 17 de janeiro), todos os eventos no CCBM. No dia 19, às 19h, será a vez do Fórum de Artes Cênicas/Concult, que será realizado na videoteca do CCBM.

Questão muito discutida em diversos setores da sociedade – inclusive nos meios artísticos -, a crise econômica chegou a ser um incômodo para a organização da Campanha de Popularização, mas nada que ameaçasse sua realização, de acordo com Cristiano. “Sempre somos afetados, direta ou indiretamente, mas não foi nada alarmante. Voltamos a ter quatro semanas (de espetáculos), uma grande variedade de peças e espaços, e não aumentamos os valores dos ingressos. É uma época de férias, porém nem todo mundo viaja, então é uma opção de cultura. Não só para Juiz de Fora, moradores de outras cidades também comparecem”, ressalta.

Para o presidente da Apac, o festival vai além da oportunidade de maior visibilidade para os artistas locais: a Campanha é fundamental, ainda, para cimentar a união entre a classe artística. “Desde o momento que a gente se reúne para discutir o regulamento, o que foi feito no ano anterior e o que será feito no ano seguinte, tudo é decidido de forma coletiva. E é um dos momentos que nós, produtores culturais, podemos sentar para conversar”, destaca. “Queremos criar momentos de conversa política, visitar espaços da cidade e propor uma conversa aberta e direta com os responsáveis por eles. Desejamos discutir critérios, usos, pois os espaços estão cada vez mais raros, e temos cada vez mais grupos, espetáculos. É um gargalo muito grande.”

popularização teatro