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Que a Força esteja com eles


Por JÚLIO BLACK

11/12/2015 às 07h00- Atualizada 11/12/2015 às 08h28

Integrantes do Conselho Jedi de Juiz de Fora passaram os últimos meses discutindo todos os detalhes divulgados sobre a nova produção da saga espacial

Integrantes do Conselho Jedi de Juiz de Fora passaram os últimos meses discutindo todos os detalhes divulgados sobre a nova produção da saga espacial

Poucas coisas são capazes de provocar fúria maior no fã de cultura pop do que mexer com o seu personagem-filme-saga-revista-livro favorito. Fãs de “Star trek”, por exemplo, mostraram toda sua indignação quando foi anunciado, na década de 1980 (uma era pré-internet, é bom lembrar), que a Enterprise teria uma nova tripulação. A Nova Geração, ao final, foi aceita pela maioria dos trekkers, e muitos ainda “ousam” defender que Jean-Luc Picard é um capitão melhor que James T. Kirk. Concorrente direto no coração dos fãs de ficção científica, “Star Wars” já havia passado por situação parecida com “A ameaça fantasma”, de 1999, primeiro filme em mais de uma década e que ficou marcado pelo “odiado” Jar Jar Binks. Mas nada se compara à celeuma surgida em 30 de outubro de 2012, quando a Disney anunciou que havia comprado a Lucasfilm de George Lucas e, por consequência, todo o universo de “SW”, agendando para 2015 o primeiro filme da franquia a ser produzido pela empresa do Mickey Mouse. Revoltas, medos e angústias à parte, o caso é que “Star Wars – O despertar da Força” chega aos cinemas na próxima quinta-feira a reboque de muita propaganda, expectativa, debates intermináveis na internet e mistério, muito mistério.

Em Juiz de Fora, por exemplo, os cerca de 350 integrantes do Conselho Jedi já estão preparados para marcarem presença na pré-estreia do longa, à meia-noite de quarta para quinta-feira, tendo dissecado nos últimos três anos todas as notícias, entrevistas, reportagens, trailers, teasers, comerciais e até mesmo um roteiro que vazou na internet. Além disso, o chanceler do Conselho Jedi em Juiz de Fora, Bruno Mercury, fechou um acordo com a rede de cinemas Cinemais, que administra as salas do Alameda para transformar o local no QG do grupo durante o tempo em que “O despertar da Força” estiver em cartaz. Eles ganharam dez ingressos para a pré-estreia e terão mais dez, por semana, para voltarem à sala escura. Em troca, ele e outros fãs irão até o cinema e estarão vestidos como os personagens da franquia a partir das 18h de quarta-feira, para quem quiser fazer fotos com o grupo. O mesmo será feito em todos os dias em que eles forem assistir à produção por conta do cinema. Outra contrapartida será a exibição de todo o acervo do Conselho no local até o final da nova aventura de “Star Wars” na bilheteria.

Mostrando-se cauteloso em suas declarações a respeito do novo filme, Bruno Mercury diz estar curioso e ansioso para a estreia do novo “Star Wars”. “Eu sou da velha guarda e, assim como um amigo do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Eduardo Miranda, não tenho a menor ideia do que vai sair desse filme da Disney, mesmo já tendo lido o roteiro. Acredito que será mais um fanfilm (filme feito por fãs) que um legítimo ‘Star Wars’; o próprio (diretor) J. J. Abrams declarou isso. Mas vai ser um excelente filme, não tenho essa ideia de que será uma continuação, ainda olhamos com um certo ceticismo”, diz Bruno, salientando que os fãs esperavam que o Episódio VII tivesse a ver com uma história de 20 anos atrás, “Herdeiro do Império”, que se passava cinco anos após “O retorno de Jedi”.

‘Rasgando’ o Universo Expandido

O designer gráfico Pedro Henrique Ferreira Lima é outro que está na expectativa pelo filme, apesar de também criticar a decisão da Disney de considerar para o universo de “Star Wars” apenas os filmes da franquia. Ou seja: todo o chamado Universo Expandido, que compreendia revistas em quadrinhos, livros, séries para a TV etc. foi apagado do chamado cânone, mesmo que fossem histórias reconhecidas por George Lucas como integrantes da cronologia “SW”. “Ficamos com o pé atrás quando tiraram o que era canônico para fazer o que quisessem. Só voltaremos a ter alguma referência a partir do que vier.”

Até mesmo a escolha de J. J. Abrams, que havia dirigido os dois mais recentes filmes da “rival” “Star trek”, foi motivo de desconfiança. “Quando anunciaram que o diretor seria o mesmo de ‘Star trek’, achei um deboche, uma afronta, mas não tenho nada contra ‘Star trek’; a verdade é que os dois fãs não combinam.”

Para novatos e veteranos

Enquanto Bruno conseguiu assistir aos seis filmes da saga espacial nos cinemas, outros integrantes do Conselho Jedi assistiram, no máximo, a uma das produções na tela grande, e terão sua “estreia” a partir da próxima semana. Apesar disso, cada uma sabe o que gostaria de ver ou não na próxima trilogia. “Os duelos com sabre de luz são mais que esperados, e ver a Millenium Falcon voando vai ser bom demais”, destaca Pedro. “Seria bom se houvesse um Sith com um sabre de luz igual ao do Darth Maul”, acrescenta Bernardo. Já o estudante Luiz Filipe de Araújo espera pelos laços familiares. “Queria ver algo como o conflito de pai e filho que havia entre o Luke Skywalker e Darth Vader”, diz.

Para o também estudante Matheus Kirchmaier, esse tipo de conflito ajudaria a aumentar o interesse pelo filme. “Imagino algo como o diálogo entre o Darth Vader e Luke em ‘O retorno de Jedi’, quanto estão na Estrela da Morte. E seria legal ver referências aos filmes antigos.

Darth Vader, o grande vilão da saga, não estará – pelo menos de corpo presente – nos próximos filmes, mas alguns dos integrantes do Conselho Jedi apostam que ele possa aparecer da mesma forma que Obi-Wan Kenobi conversava com Luke Skywalker. Eles esperam que Kylo Ren seja o substituto de Vader como o grande antagonista dos heróis. Quanto àquilo que eles não esperam – ou querem – que seja visto na próxima trilogia, a resposta é quase uníssona: Binks, Jar Jar Binks – que, para a alegria da maioria, já foi confirmado por J. J. Abrams que não estará presente no Episódio VII.