‘O cronista mais jovem do Brasil’

Foi lançado nesta quinta-feira o livro “Mário Helênio – A história do cronista esportivo mais jovem do Brasil”, que narra a trajetória do maior ícone da imprensa especializada em esporte de Juiz de Fora. O resgate da memória do homenageado que dá nome ao Estádio Municipal, local do lançamento da obra, ficou a cargo dos professores Álvaro Americano, Márcio Guerra, Christiane Paschoalino e Ricardo Bedendo, além dos estudantes Vitor Ramos e Tiago Esteves, todos da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em um trabalho de um ano revisitando documentos, levantando registros e depoimentos sobre a vida do jornalista que escreveu para a Tribuna e comandou um programa diário na Rádio Solar.
Segundo Márcio Guerra, o registro da vida de Mário Helênio foi feito com total colaboração dos familiares do jornalista, e já no início do processo de pesquisa veio uma das maiores emoções do trabalho. “Há cerca de um ano, entramos em contato com a Dona Aparecida (viúva do radialista), ela pediu que conversássemos com o Mário Augusto (filho) e, após um programa que fizemos especial com a história do Mário, ele entrou em contato para agradecer. Falamos da ideia do livro e ele deu sinal verde. É uma biografia autorizada, que dividimos em três partes: vida pessoal, profissional e seu legado. Tivemos acesso ao apartamento no qual a família viveu e ao escritório dele. Foi emocionante entrar lá pela primeira vez, pois todas as suas coisas, máquina de escrever, gravador, tudo, parecia estar ainda esperando ele retornar”, relembra.
Além do livro, o grupo lança também um DVD com o apanhado do levantamento histórico feito para o livro. Quem mergulhar nas obras vai poder conhecer mais a fundo fatos da vida do ícone do jornalismo esportivo local que ajudou na revelação de ídolos e na manutenção da paixão dos juiz-foranos pelos esportes. “Muita gente não sabe, mas ele é, ao lado do Flávio Vilela (técnico de vôlei), responsável pela saída do Giovane (bicampeão olímpico com a Seleção Brasileira) do judô para as quadras, quando ainda era juvenil. Também não gostava quando as equipes locais eram derrotadas por placares elásticos em competições fora da cidade. Por exemplo, quando lhe passavam um resultado de derrota no handebol por 30 a 8, em seu programa, no dia seguinte, dava um placar de 30 a 18. Não deixava de dar a derrota, mas como era apaixonado pelo esporte, acreditava que um revés elástico desestimularia os esportistas e o público de Juiz de Fora de apoiar as modalidades. Era verdadeiramente um apaixonado”, revela Guerra.
Desde cedo
O subtítulo do livro vem de uma das histórias resgatadas pela pesquisa sobre a vida de Mário Helênio que, desde cedo, mostrava faro para a notícia. “Com 11 anos ele foi com o pai, o deputado Jarbas de Lery Santos, ao Rio de Janeiro, para compromissos políticos. Fugiu do hotel e foi parar na redação do Globo, sentando-se na mesa e dizendo que queria ser entrevistado por Herbert Moses, um dos ícones do jornalismo brasileiro, já famoso na década de 1930. Conseguiram achar seu pai, e ele o levou a uma entrevista coletiva agendada para aquele dia com Getúlio Vargas, da qual o Mário participou. No dia seguinte, o Globo estampa uma manchete dizendo que estava no Rio de Janeiro o mais jovem jornalista do país”, conta Márcio.
Torcedor do Flamengo e do Tupynambás, Mário Helênio de Lery Santos, nascido no dia 22 de maio de 1925, começou sua história no jornalismo esportivo profissionalmente já aos 14 anos, escrevendo no “Diário da Tarde” e participando das transmissões da PRB3. Mais tarde, passou a publicar seus textos na Tribuna e a integrar a equipe da Rádio Solar, na qual comandava o “Giro da bola”, programa que tinha como destaque os mais variados esportes locais, diariamente, às 11h30, com resultados e informações sobre diversas modalidades. Mário liderou o “Giro” até um mês antes de sua morte, em 25 dezembro de 1995.
Por muitas vezes necessitar somente de um pequeno pedaço de papel no qual fazia anotações de referência e de sua memória prodigiosa, capaz de armazenar os mais diversos fatos futebolísticos de Juiz de Fora e do Brasil, para comandar o programa, o ícone do jornalismo esportivo local era considerado uma verdadeira enciclopédia, consolidando-se como referência para todos os profissionais da área.









