Pais denunciam irregularidades em escola pública

Situação da Escola Estadual Batista de Oliveira é crítica, o que tem afastado os alunos (Olavo Prazeres/11-11-15)
Insatisfeitos com a administração da Escola Estadual Batista de Oliveira, localizada no Bairro Costa Carvalho, um grupo formado por pais de alunos está questionando a direção do colégio sobre o paradeiro de recursos repassados pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) que seriam destinados a obras e reformas na estrutura da instituição. Eles pedem a renúncia do diretor da escola e agilidade no processo investigatório, por parte da SEE, das irregularidades apontadas pela Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora.
“A escola está sem nenhuma verba. Hoje, por exemplo, faltam alimentos para o preparo da merenda. Tem muito mato e árvores que ameaçam cair nas salas. Uma poda e um corte, a gente até consegue, mas queremos saber onde está este dinheiro”, indaga Cláudio Procópio, um dos membros da comissão de pais. Ele conta que os pais ficaram sabendo da situação há pouco tempo, quando foram convocados para uma reunião, proposta pelos professores. “O diretor não esclareceu nenhum de nossos questionamentos a respeito dos recursos. Queremos a sua exoneração, para que uma nova pessoa possa assumir o cargo. Vamos começar tudo do zero e, enquanto comissão, iremos fiscalizar todas as notas fiscais, bem como o dinheiro que entra e que sai.”
Outro pai de aluno e membro da comissão, Adalberto da Rocha, questiona o fato de parte dos documentos ter sumido após a escola ter sido alvo de ações criminosas. Em maio, segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, durante um dos sete arrombamentos sofridos pela Batista de Oliveira só neste ano, foram levados dois computadores, dois notebooks, duas impressoras e documentos de prestação de contas da escola que estavam impressos. Ainda de acordo com a PM, vários deles foram queimados. Na ocasião, um funcionário da empresa que presta serviços de vigilância e monitoramento da escola constatou que o alarme não funcionou devido ao relógio de energia ter sido desligado.
Em junho, em outro arrombamento na instituição, foram levados 38 tablets que foram enviados à escola pelo MEC. Os equipamentos ainda estavam guardados nas caixas e o sistema de alarme também teria sido destruído durante a ação criminosa. “O colégio está abandonado. Já era para a obra da quadra poliesportiva estar pronta. Temos conhecimento de que havia recursos destinados para a troca das carteiras, melhorias nas salas e reforma dos banheiros, mas eles não chegaram até o colégio”, destaca Adalberto. “Estamos lutando pela escola. O ensino aqui é bom, inclusive, muitos de nós fomos alunos. Queremos que nossos filhos tenham orgulho do local em que estudam”, reforça Rosimar Vieira, mãe de outro aluno e membro da comissão.
A vice-diretora da escola, Magaly Ribeiro Miranda, contou à Tribuna que, há tempos, toda a vice-direção, assim como os demais professores, estavam incomodados com a falta de recursos para a escola. “Estamos na iminência de fechar, pois, diante de tudo que aconteceu, as turmas esvaziaram bastante. Ninguém quer estudar em uma escola onde falta tudo”, desabafa. Ela conta que a SRE iniciou o levantamento das irregularidades em setembro e que convocou, por várias vezes, o diretor para esclarecer sobre os recursos. “Infelizmente ele é um diretor ausente e de difícil contato.” A Tribuna também não conseguiu obter contato com o diretor.
Por meio de nota, a assessoria da Secretaria de Estado de Educação informou que a Superintendência Regional de Ensino de Juiz de Fora realizou um relatório com as informações colhidas junto à escola. O documento foi encaminhado à secretaria, que deve analisá-lo e, só então, tomará as medidas cabíveis, caso necessário, com relação à direção da instituição.









