O desejo de romper o ciclo político de nossa cidade se concretizou nas urnas. Entretanto, os programas de governo discutidos nas eleições não foram elaborados com base em um Plano de Estratégias que revele, de forma clara, quais são as áreas prioritárias de investimento público: saúde, educação, ordem pública, geração de emprego e renda, mobilidade urbana, cultura, lazer, esporte, meio ambiente…
A gestão pública, por parte da Prefeitura, deve contemplar metas a serem cumpridas pelos órgãos públicos e pelas secretarias municipais, de modo a estimular a participação da sociedade eleitora no planejamento urbano, através de mecanismos de gestão democrática e participativa nas políticas urbanas, tais como nos conselhos municipais.
O direito às cidades compreende direitos civis e políticos e está previsto no Estatuto das Cidades, entendido como direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte, ao trabalho, ao lazer, aos serviços públicos para as presentes e as futuras gerações.
Juiz de Fora tem hoje uma vocação extraordinária para o turismo cultural e de eventos, pois possui vasto patrimônio histórico-cultural, que está ligado à história do Brasil e da cidade, com ampla possibilidade para organizar uma agenda anual cultural, somado à condição de imenso potencial na prestação de serviços de acomodação hoteleira. Isso sem contar com a capacidade de a cidade fechar negócios nos eventos e nas feiras comerciais, como já vem ocorrendo no segmento de laticínios, na ordem de R$ 170 milhões/ano. Contudo, a estrutura municipal não contempla uma secretaria de turismo de negócios, capaz de formular negócios de modo a gerar renda/oportunidades de empregos de forma competitiva com outros segmentos econômicos.
Uma mudança de verdade passa pelo resgate do empreendedorismo de nossos pioneiros: Halfeld, Mariano Procópio, Batista de Oliveira, Bernardo Mascarenhas. Nesse sentido, a cidade deve ser repensada através de um instituto de planejamento autônomo constituído por técnicos capazes de analisar nossas reais aptidões e a vocação atual da cidade dentro do modelo de cidade criativa, capaz de gerar emprego/renda, bem como para resolver os gargalos da mobilidade urbana, da melhoria da saúde e da redução da violência dentro do contexto de cidade sustentável.
A cidade sustentável deve ser planejada de forma a minimizar o tempo de acesso do trabalhador ao trabalho e ao lazer, sendo o modelo BRT uma opção a ser analisada para a Avenida Barão do Rio Branco, como solução economicamente adequada para reduzir o acesso de 526 ônibus ao Centro da cidade, otimizando as linhas dos bairros para pontos intermediários da avenida e valorizando e incentivando o comércio dos bairros que circundam a mesma.
Outrora, tivemos políticos ousados, que, cercados de técnicos verdadeiramente atualizados em um instituto de planejamento urbano, souberam alçar metas e planos estratégicos, que podem ser reutilizados de modo a retomar o desenvolvimento socioeconômico juiz-forano.











