Escambo cultural
A troca de ideias ou informações sempre se mostrou uma eficaz ferramenta para a ampliação do conhecimento nos mais diversos campos do saber, e o benefício da troca não se restringe a uma pessoa ou a um grupo, alcançando, também, empresas, universidades e até mesmo países. Um exemplo atual da necessidade de buscar interações é o programa do Governo federal Ciências sem Fronteira, cuja proposta é promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. Embora o programa seja atual, seu conceito não é novo. Já dizia um antigo ditado chinês que ao se trocar um pão por outro, cada envolvido na permuta obtém um novo (mas único) produto, ao passo que se a troca for de ideias, cada qual obtém um acréscimo ao que já possuía. O ganho é maior.
Ao longo dos séculos, a literatura vem sendo um meio pelo qual a cultura e a história de diversos povos são contadas e cantadas. Assim sendo, uma maneira de trocar informação coletivamente poderia se dar por meio da tradução literária de obras de diferentes povos. Segundo a Unesco, desde 1979, a Alemanha é o país que mais investe em tradução de obras estrangeiras, seguida pela Espanha, pela França e pelo Japão, o que faria daquele país um lugar muitíssimo inclinado à compreensão do modo de pensar de outras nações, imagino.
Há alguns dias, ocorreu o primeiro evento oficial do Brasil na Feira do Livro em Frankfurt, Alemanha, na qual foi apresentado o programa de traduções e promoções comerciais da literatura brasileira organizada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), envolvendo também a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Fomento às Exportações (Apex). E, como o Brasil será homenageado lá, em 2013, esforços têm sido feitos no sentido de estreitar laços culturais por meio da intensificação da divulgação de escritores brasileiros. O que chamou a atenção, no entanto, foi a escolha da editora Königshausen & Neumann em lançar o livro Saraminda, em alemão, do escritor brasileiro José Sarney, após sugestão de César Amaral, amigo do ex-presidente e cônsul brasileiro em Frankfurt, tendo o consulado o papel de comprar um grande volume de exemplares. Continuo me simpatizando com aquele ditado chinês do início do texto, mas, em se tratando dessa troca feita com o político e escritor brasileiro, isso tudo me lembrou mais um escambo da época de Cabral do que do ditado dos amigos do oriente.









