A tradição apostólica
Apoiando-se nas promessas de Cristo, de nunca abandonar a assistência divina dada aos seus apóstolos (Mateus 28,19-20), a Igreja Católica sempre ensinou que Deus dispôs amorosamente que permanecesse sempre íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos (Concílio Vaticano II: DV n° 7). Não podemos conhecer Jesus Cristo a partir de especulações fantasiosas ou interpretações meramente subjetivas que contrariam as verdades colhidas das tradicionais fontes da revelação cristã que a Igreja preserva ao longo dos séculos. Quais são essas fontes?
A história nos revela que, segundo o plano de Deus, a transmissão do Evangelho fez-se de duas maneiras: oralmente e por escrito. A Sagrada Escritura (Bíblia) é a Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo. A Sagrada Tradição, por sua vez, conserva a Palavra de Deus, confiada por Cristo e pelo Espírito Santo aos Apóstolos. Vale lembrar que a primeira geração de cristãos ainda não dispunha de um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento atesta o processo da Tradição Apostólica viva. Daí resulta que a Igreja não deriva a sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Bíblia. Por isso, ambas (Escritura e Tradição) devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência (Concílio Vaticano II: DV n° 9).
Quando não se respeita esta tradição que vem dos Apóstolos (Tradição Apostólica), que a autoridade bimilenar do Magistério da Igreja sustenta e quando se interpreta a Sagrada Escritura de maneira absolutamente autônoma e isolada (livre exame da Bíblia), a fé cristã então se desintegra e se perde através do subjetivismo e do relativismo. Daí surgem especulações descabidas e perguntas absurdas, do tipo: Jesus foi casado?; Jesus era mesmo Deus?; Jesus era apenas um profeta?; Jesus era um médium evoluído?, etc. Essas indagações fantasiosas nascem do desprezo pela história sagrada do cristianismo, e isso como se Jesus Cristo tivesse deixado a humanidade à mercê de suas especulações fantasiosas que deformam as verdades da fé cristã por ele reveladas. Não é assim. A verdade é que aquilo que a teologia chama de Tradição Apostólica nos fala de uma continuidade prometida por Deus, ou seja, da contínua e viva presença de Cristo entre nós (Mateus 28,20). Segundo o Papa Bento XVI, a tradição é o rio vivo que nos liga às origens, o rio vivo no qual as origens estão sempre presentes. O grande rio que nos conduz ao porto da eternidade (Vaticano, Audiência Geral em 26/04/2006).
Fica, portanto, claro que, segundo o sapientíssimo plano divino, a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal modo entrelaçados e unidos que um não tem consistência sem os outros, e que, juntos, cada qual a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas (Concílio Vaticano II: DV n° 10).











