Caminho do homem


Por COMUNIDADE ESPÍRITA A CASA DO CAMINHO

28/01/2012 às 07h00

Através da mágica virtual, reencontrei uma amiga de escola e, com uma fertilidade tão assustadora como a internet, as lembranças saltaram aos nossos olhos, refazendo o passado aos poucos. Em cada linha de nossa conversa, as mágoas salpicavam o texto, deixando transparecer fortes tristezas, mesmo sendo ela uma profissional de reconhecido sucesso. Sua capacidade intelectual e seus trabalhos acadêmicos não foram antídotos para o derrotismo, esse sentimento maléfico alojado em muitos corações por vezes bondosos, mas desprovidos de força suficiente para enfrentar a realidade materialista na qual investiu a humanidade.

O materialismo é recheado de contradições e, na estreiteza de seus parcos argumentos, mais confunde que soluciona. O resultado é o raciocínio avançando sem temor para a luz do saber enquanto o sentimento se aloja na sombra. Se possuímos condições de preparar o futuro repleto de garantias no plano físico, de modo corriqueiro nos descuidamos dos interesses espirituais, patrimônio presente e visível nas emoções de cada ser humano. Em razão disso, muitas vezes, damos espetáculos de genialidade e delinquência, cultura e degradação. Somente a inteligência não é suficiente; a felicidade requer a luz do entendimento e a bênção do amor.

A velocidade do tempo, as amarguras pessoais nos pressionam na busca de novas respostas para velhas questões. Sabemos acumular e transmitir conhecimento, porém ainda ignoramos como utilizá-lo para evitar o conflito com o próximo; juntamos fortunas e raramente a convertemos na construção da felicidade. Para legislar com eficiência nas atividades aparentes e fáceis, ainda nos é muito difícil manter a tranquilidade de consciência. Como vemos aqui, a ambiguidade tão presente nas ações humanas tornou-se mãe de nossas mazelas; evitar tamanha contradição é receita vital ao equilíbrio e consequente tranquilidade. Para tanto, faz-se necessário e urgente elevar ao nível cerebral as coisas do coração, retirando, das sombras da ignorância, a alegria de viver e as afeições, com tanto zelo quanto são construídas as teses acadêmicas.

Se malhamos o corpo em busca da boa saúde e aparência, façamos o mesmo exercício na maratona da paciência com o próximo e na prática da caridade com os mais necessitados. Sendo responsáveis pelo bem material que acumulamos, por que também não nos responsabilizarmos pela expansão do otimismo, da coragem e esperança nos corações alheios? Será que, para um homem mal intencionado, uma atitude indigna é suficientemente forte o bastante para assombrar as virtudes? Certamente não. Busquemos a luz da emoção que Paulo semeou ao dizer: pois somos feitura Dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus, de antemão, preparou, para que andássemos nela.