Lula quer o poder absoluto
Bem ao contrário do que muitos pensam, a busca do poder é sim uma atividade nobre em política. Desde, claro, que o objetivo também seja nobre, ou seja, de chegar ao poder para, nele, implantar um modelo de administração sustentado pelo pensamento político de um determinado grupo. O poder pelo poder, a busca do poder como forma de satisfação pessoal em nada ajuda o país. Vencer com o objetivo de demonstrar prestígio pessoal tem como consequência a radicalização política. Esta, ao que parece, é a situação da sucessão na cidade de São Paulo. Lula tomou para si o desafio de fazer o seu PT, com o candidato que escolheu, chegar novamente à Prefeitura paulistana onde já esteve duas vezes, com Luiza Erundina e Marta Suplicy. A justificativa é a necessidade de se quebrar a hegemonia tucana na cidade, preparando o caminho para as eleições de 2014. Esta é a explicação pública para uma questão de natureza pessoal. Tanto que Lula decidiu pelo, aparentemente, caminho mais longo. Despreza a candidatura Marta para impor Fernando Haddad, alguém que, como Dilma, nunca disputou eleições. Com a agravante de que Haddad, como ministro da Educação, esteve na vitrine muito mais pela incompetência de realizar um Enem e pelas polêmicas dos livros didáticos de conteúdo duvidosos.
Vencer com um candidato assim seria a consagração de quem, historicamente, teve a rejeição da população paulistana. Lula, parece, quer mais é vencer a sociedade, impondo a candidatura de um neófito numa situação que em nada se assemelha à candidatura de Dilma. A presidente, mesmo fazendo sua estreia nas urnas, tinha um passado de militância política e construiu um conceito de boa administradora. Era, portanto, uma candidatura mais leve, que, em alguns momentos, caminhou sem a muleta de Lula, embora, não se possa negar, tenha sido eleita pelo prestígio dele. Mas se elegeu Dilma, ele não pode se esquecer de que legou a ela situações políticas e econômicas muito complicadas. São da cota dele todos os ministros que caíram, inclusive Nelson Jobim, o único que não saiu por corrupção, mas que deixou o cargo sinalizando sérias divergências políticas com o grupo político da presidente.
Na economia, deixou um descontrole nos gastos públicos que ficam mais evidentes na medida em que a nova crise – ou seria o prolongamento da velha – recrudesce. Radicalizar a disputa em nada contribui. Dilma, diga-se, tem se mostrado mais madura do que Lula. Seus movimentos buscam manter um diálogo de alto nível com o que de melhor existe na oposição. Com isto, busca se proteger do que há de pior em sua base, caso as dificuldades aumentem com a crise. Lula precisa entender a necessidade de se preservar. Sua liderança no país, e não apenas sobre determinadas camadas sociais, pode ser fundamental no caso de um anunciado agravamento da crise mundial. Não se trata de pedir a ele que abra mão das disputas eleitorais, que seu partido entregue prefeituras, que não se esforce no embate com seus adversários. Não é isto. Pede-se apenas que ele desça do palanque agora e suba no momento certo.










