Do manifesto às manifestações
Difícil é manter o foco no interesse difuso e coletivo. Sem bandeiras… Fácil de entender por qual motivo a reunião de tantas pessoas conduz ao macrocomportamento econômico vigente, ou seja, cada indivíduo tem anseios, ambições e desejos parecidos. Ascensão profissional, financeira e com um status social relevante. Deste modo, o capitalismo atende melhor aos mais fortes e que forem detentores do know-how ou savoir-faire para realizar o objetivo com eficácia, dominando os meios de produção, o que afetaria demais a sociedade, porque se tem, a cada momento do mundo, a escravidão, depois o desinteresse por ela, e o início da caça aos navios negreiros e, por fim, a competição no livre comércio, dando origem à associação dos poderosos nos conceitos da globalização, com outro nível de exploração, que foi imaginada desde o Consenso de Washington.
No mundo, tudo está resumido em interesse e prejuízo. Só que os homens visam ao lucro e, para isto, necessitam superar outros para deter a maior parcela de capital e acúmulo, valores, dinheiro e meios de produzir para se elevarem ao patamar máximo na sociedade. As corporações passaram a ter esta alma e fizeram de tudo para não deixar que o Estado detivesse esta força, e temo dizer que são mais poderosas do que muitos países nos dias de hoje. O que era uma questão individual, egoísta e voltada para um interesse de clã ou família passou a ser interesse de grandes corporações, que se uniram para derrubar os que ameaçavam, ou seja, a concorrência desmerecida ou não eleita.
Diz a lenda que o inventor da Bic não tinha dinheiro para produzi-la. Então, foi pedir emprestado um valor a um poderoso banqueiro americano, que assim disse: Empresto dinheiro a você e se tornará meu sócio, aos poucos emprestarei dinheiro para os que distribuem e também varejistas. E o inventor perguntou: E as pessoas que irão adquirir a caneta?. Resposta: Daremos cartões de crédito.
Desta forma, os valores sempre voltam para os mesmos lugares, para as mesmas fontes e que, com lucro, alimentarão mais pessoas, fábricas e comércios, porém, alijando do sistema milhões que não têm a capacidade de produzir e usufruir. Com a globalização, ficou patente este intuito. Enquanto a escravidão era interessante, porque não havia como se gastar com mão de obra, no sentido da manutenção digna, a Inglaterra não se moveu para combatê-la. Porém, quando as suas máquinas de 1850 começaram a substituir os homens e a escravidão passou a ser concorrente indesejada, deixando o preço manufaturado mais barato do que o industrializado, daí sim partiu na caça aos navios negreiros.
Na verdade, enquanto houver necessidades básicas e demandas, os políticos, sejam de lados A ou B, terão como sustentar plataformas eleitorais. O ciclo se fecha frequentemente assim porque sempre o mundo foi a mesma coisa. O que muda são os nomes das poderosas corporações bancárias e industriais, conquanto foi a tradição milenar do ouro, metalismo, dos saques de guerras e, agora, o crédito e a globalização, que trazem e levam o capital, movimentando o planeta. A Revolução Russa e as guerras sempre foram financiadas pelos mesmos banqueiros que investiram na Bic. O socialismo e o capitalismo coexistem, mas não como se pretendia, apenas experimentamos as conciliações entre os grandes grupos econômicos e os governos do mundo que precisam do capital para sustentar o sistema e a própria existência, autonomia e soberania. Contra isso não há manifesto, porque contra o sistema já planejadíssimo não se manifesta, porque o ser humano o adora desse jeito, seja por domínio, de um lado, e por comodismo, de todos os outros.











