Dia de luta, luto e oração


Por EQUIPE IGREJA EM MARCHA

27/04/2013 às 07h00

Na próxima quarta-feira, dia 1º, comemora-se em todo o mundo o Dia do Trabalho, uma data que representa a luta dos trabalhadores pelo reconhecimento, pela dignidade e pelo respeito. O jornalista Perseu Abramo uma vez afirmou que a história do Primeiro de Maio mostra que se trata de um dia de luto e de luta, não só pela redução da jornada de trabalho, mas também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade. É um dia de reflexão para todos nós, especialmente para os cristãos que, ao lado da Igreja, se posicionam contra a exploração e, particularmente, contra a existência em pleno século XXI do trabalho escravo em todo o mundo.

A história do 1º de maio teve início na cidade de Chicago, em 1886, principal centro industrial dos Estados Unidos da época, quando milhares de trabalhadores saíram às ruas em passeata para protestar contra as condições de trabalho. Eles eram submetidos a uma jornada diária de 13 horas e reivindicavam a redução para oito, como é atualmente. Naquele dia, o tumulto tomou conta da cidade. Pessoas foram presas, muitas ficaram feridas, e algumas chegaram a morrer no conflito com a polícia.

No ano de 1889, em homenagem à greve geral de Chicago, o Congresso Socialista, em Paris, instituiu a data de 1º de maio como o Dia Mundial do Trabalho. No Brasil, o reconhecimento só ocorreu em 1925, pelo então presidente Arthur Bernardes, que decretou 1º de maio como feriado nacional. No mundo inteiro, comícios, passeatas e manifestações sindicais costumam marcar a passagem da data.

A Igreja no Brasil, através da CNBB, sempre reafirmou seu compromisso de colaborar na construção de uma sociedade politicamente democrática, economicamente justa, ecologicamente sustentável e culturalmente plural, além de seu apoio pela consolidação e a ampliação dos direitos dos trabalhadores. Uma das campanhas abraçadas pela Igreja tem sido a aprovação da PEC 438/0, que combate o trabalho escravo e que recentemente recebeu parecer favorável do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), prevendo o confisco de propriedades flagradas com escravos, o que significa um grande avanço na luta dos trabalhadores.

No Brasil e em outros países, o mundo do trabalho continua dividido em categorias: a dos integrados, em número reduzido, com bons salários e vínculo aos círculos mundiais da produção; os semi-integrados, trabalhadores em situação de risco, aqueles que trabalham precariamente e de forma intermitente; e os excluídos, trabalhadores que estão fora da sociedade salarial ou dos vínculos de proteção dos direitos sociais, os desempregados e subempregados.

Há que se lembrar também dos aposentados e aposentadas, nem sempre reconhecidos pelo bem que fizeram e ainda podem fazer pelo país, que convivem, tantas vezes, com graves perdas salariais. O direito de todos ao trabalho e a inclusão universal na rede de proteção social tornam-se objetivos obrigatórios para todos os que buscam construir uma sociedade justa e solidária. Que nesta data as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida e São José Operário protejam os trabalhadores e todos aqueles que, através de suas atividades, constroem condições dignas para sua família, buscam o bem comum e protegem a vida em nosso planeta.