A obsessão pelo desenvolvimento


Por JOSÉ ELOY DOS SANTOS CARDOSO Economista, professor e jornalista

25/10/2012 às 08h00

De acordo com o dicionário Melhoramentos, tornar-se um obcecado é adquirir uma teimosia em relação a alguma coisa. Quando comecei a escrever, com o apoio da Tribuna, artigos mostrando a importância do Aeroporto Regional Itamar Franco para o desenvolvimento da Zona da Mata e Região, muitos acharam estranho eu defender um investimento que ainda nem estava funcionando. Tendo estudado com detalhes esta obra que poderia se tornar o marco inicial de amplo projeto formador de renda e emprego para uma parte de Minas Gerais que ficou esquecida – e que, nos anos passados, representou muito para a economia mineira, a ponto de Juiz de Fora ficar até conhecida como Manchester Mineira -, comecei a defender, na imprensa, não um simples aeroporto que poderia ser igual a vários outros existentes, mas um autêntico polo de desenvolvimento regional. Com o aeroporto de Confins os problemas foram semelhantes, e hoje ele espalha seus efeitos sobre toda a região metropolitana de Belo Horizonte.

Em primeira mão, obtive do diretor do Aeroporto Regional, Denilson Duarte, a importante informação que o governador Antonio Anastasia garantiu a ele que até o final do mês de novembro a retirada do tal morro que impede as operações totais de passageiros e cargueiros já estará completada. A partir daí, já é possível que a Anac dê autorização para que a pista total de 2.530 metros de extensão possa ser realmente usada. Apenas com a utilização de 1.800 metros, com operações de passageiros duas vezes por dia, a Azul Linhas Aéreas já conseguiu transportar em um ano e dois meses de operação mais de 75 mil passageiros. É uma notícia auspiciosa, mas o importante será quando as operações cargueiras e de passageiros já permitirem a plena operação deste que será, sem dúvida e pelos seus efeitos multiplicadores, o maior investimento já feito na Zona da Mata nos últimos 30 anos.

Apesar de o pleno funcionamento do novo sítio aeroportuário servir de entusiasmo para todos aqueles que se interessam por problemas do desenvolvimento regional, a futura administração da Prefeitura de Juiz de Fora não deve se esquecer de aparelhar por completo o antigo Aeroporto da Serrinha, como é conhecido. Coisas importantes, como um caminhão importado para combate a incêndio e aparelhagem para controle das operações conhecidas como voo cego, também estão faltando ali. Sem essas providências, o futuro de Juiz de Fora como cidade turística pode ficar comprometido. O funcionamento total dos dois aeroportos que se completam é que poderá dar a Juiz de Fora o nível de desenvolvimento que este município merece. Quem viver verá.