Esclarecimentos doutrinais
1º) Ordenação sacerdotal: por que a Igreja Católica não ordena mulheres para o sacerdócio? A Igreja se reconhece vinculada ao plano de Cristo, que quis escolher somente homens para formar o grupo dos apóstolos. Os apóstolos fizeram o mesmo quando escolheram aqueles que seriam seus sucessores. Portanto, não cabe ao poder da Igreja ordenar mulheres. Não se trata de não querer, mas de não poder ordenar. O saudoso Papa João Paulo II explicou que o fato de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão própria dos apóstolos nem o sacerdócio ministerial mostra claramente que a não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo. A presença e o papel da mulher na vida e na missão da Igreja, mesmo não estando ligados ao sacerdócio ministerial, permanecem, no entanto, absolutamente necessários e insubstituíveis (Carta Apostólica Ordinatio sacerdotalis nº 3).
2º) Aborto: por que a Igreja Católica não aprova o aborto dito terapêutico (sobretudo quando há risco de morte para a mãe)? A Igreja explica que o fim não justifica os meios (Romanos 3,8), e aqui este princípio bíblico significa que uma boa intenção (preservar a saúde da mãe) não torna boa nem justa uma ação má em si (matar a criança inocente). A decisão deliberada de privar um ser humano inocente da sua vida é sempre má do ponto de vista moral, e nunca pode ser lícita nem como fim, nem como meio para um fim bom (Papa João Paulo II: Encíclica Evangelium vitae nº 57). Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos em virtude de seu objeto. São atos que, na tradição moral da Igreja, foram denominados intrinsecamente maus (intrinsece malum). A história atesta que, desde o século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo aborto direto, quer dizer, procurado como um fim ou como um meio para um fim bom.
3º) Divórcio: por que a Igreja Católica reprova o divórcio? É porque Jesus Cristo ensinou que o casamento é indissolúvel e que o homem não deve separar o que Deus uniu (Marcos 10,9). Diante da injusta mentalidade divorcista presente na sociedade contemporânea que desvaloriza a fidelidade matrimonial e prejudica a família, a Igreja cumpre o seu dever de anunciar os ensinamentos de Jesus Cristo sobre a indissolubilidade e a dignidade do casamento. Pode acontecer que um dos cônjuges seja a vítima inocente do divórcio decidido pela lei civil; neste caso, ele não viola o dever de manter responsavelmente o compromisso do amor conjugal. A Igreja afirma que, embora não possam ter acesso aos sacramentos (Eucaristia, Confissão etc…), os divorciados recasados não estão separados da Igreja e, por isso, são chamados a frequentar a missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e a educar os filhos na fé cristã.










