A alma é o segredo do negócio


Por HUGO BORGES Médico, presidente da Unimed/JF

24/08/2011 às 07h00

Recentemente, um jornalista questionou-me sobre o segredo de um negócio bem-sucedido, sobretudo quando envolve a participação de 1.243 sócios, em que todos têm exatamente os mesmos direitos. No modelo cooperativista de trabalho só há sócios majoritários. A pergunta, aparentemente simples, soou como provocação. Provocação da boa, daquela que faz a gente querer reinventar a resposta, afinal, ainda que o questionamento seja antigo, a dinâmica da vida empresarial exige respostas novas, quase sempre inovadoras. A simplicidade da pergunta também era exigente. Foi aí que me lembrei da célebre frase: O segredo é a alma do negócio.

À mineira, podemos compreender que o segredo seja realmente o grande responsável por organizações bem-sucedidas, a exemplo da mítica fórmula da Coca-Cola. Porém, diante do desafio de procurar respostas inovadoras, de compreender a crescente expansão dos meios de comunicação e da necessidade premente de construir marcas fortes, não hesitei: a ordem da frase deve ser invertida, embora também seja possível compreendê-la da forma como está. A alma, eis o grande segredo do negócio.

E o que é a alma de um negócio? A alma de um negócio é sua razão de existir. O ideal que alimentou sua formação. Os valores e os princípios que embalaram seu nascimento e que ajudaram a construir, gene a gene, seu DNA empresarial. Quando as pessoas, milhares, depositam a confiança de sua saúde nos cofres de uma cooperativa médica, o fazem porque enxergam a alma da empresa, seu jeito de ser e de cuidar dos clientes, acionistas, colaboradores e da sociedade de modo geral. Empresas com alma são, portanto, as que se reinventam para continuar existindo. Suas raízes são motores propulsores, como o são as raízes das plantas. No escuro e, em segredo, vão trabalhando para fazer o lado visível florescer.

Assim, o bom planejamento estratégico busca na essência da organização a motivação e as respostas necessárias para que o negócio, ainda que praticado com um olhar diferente em relação ao mercado, não se descaracterize da proposição original. Se hoje são imprescindíveis o planejamento e os mapas estratégicos, o mapeamento dos processos e o alinhamento organizacional e de competências, a criação de indicadores e metas e a sistemática de acompanhamento dos resultados, também são vitais os constantes mergulhos à alma do negócio, que precisa estar embutida em todos os processos, para que os stakeholders, notadamente, os clientes a percebam e, percebendo-a, se engajem na causa proposta pela empresa.

Dar vida ao concreto armado. Encher de sentido as embalagens. Deixar a alma do negócio se manifestar em toda a linha de produção, em todo o processo produtivo, em toda a cadeia de valor. Este sim, respondi ao jornalista, é o segredo do bom negócio.