Museu Mariano
Lendo o artigo O problema do Mariano (publicado neste espaço no último dia 14), gostaria de tecer alguns comentários. Museus históricos, como é o caso do nosso, não envelhecem: ficam mais antigos. As estruturas, sim, estão envelhecidas, mas, como constatei pessoalmente, estão sendo recuperadas, aliás, com grande carinho e cuidado pela atual administração. Como admirador e frequentador desde os meus 12 anos de idade, o Museu Mariano Procópio me ensinou o gosto pelas artes – me inspirando a buscar a profissionalização na área, caminho o qual segui por 30 anos no Rio de Janeiro, trabalhando como marchand, organizando leilões, fazendo cursos no Rio e diversos workshops na Europa. Não dá para ficar indiferente a um artigo que virou uma sopa de letrinhas tendenciosas e preconceituosas.
Quanto à questão relativa ao público, parece haver um engano, pois cada vez mais os museus estão sendo frequentados. A exposição de Monet no Rio em 1997 foi um sucesso; os 423 mil visitantes superaram em 20 vezes a expectativa dos organizadores. O Louvre bate constantemente seus recordes de visitação, assim como os museus históricos britânicos. Uma bela exposição – Doce França, montada pelo Mariano no Museu Murilo Mendes – foi bem organizada e bem recebida.
Quanto à frase: O fechamento do museu não sensibiliza a população de Juiz de Fora, talvez seja verídica para aqueles que vão para Nova York à procura de outlets para mostrar na volta os achados (os quais geralmente são fabricados na China), grupo este que nunca tem o interesse em visitar os tantos museus importantes que por lá existem. Não deveria, então, julgar a todos por pensamento próprio; deveria, isto sim, como colaborador de um jornal de tamanha importância e alcance, enaltecer o mais representativo patrimônio que resta à nossa cidade. Este museu é, sem dúvida, o mais importante de Minas Gerais e o segundo em importância em termos imperiais, só perdendo, por pouco, para o Museu Imperial de Petrópolis, cidade esta cujo turismo vive quase que exclusivamente dos seus visitantes, ávidos pela oportunidade em conhecer mais a fundo o período imperial, contrariando, portanto, sua teoria de que o tema não desperta mais interesse.
Quanto à oca grandiloquência imperial, com todos seus defeitos, foi responsável por colocar o país entre os melhores e mais avançados da época, sobretudo no que diz respeito a novas tecnologias e avanços. Nas artes, Dom Pedro II também incentivou e financiou vários artistas a estudar na Europa, o que resultou em uma explosão de obras-primas, inclusive as de Pedro Américo, que o autor dá tão pouco valor.
Aqueles que gostam de usar a palavra elite pejorativamente deveriam aprender seu significado: o que há de melhor em uma sociedade ou grupo, nata, fina flor. É fácil pertencer a ela, é só estudar, se interessar, se esforçar, fazer o melhor. Até em futebol existe a elite de jogadores, que são os que mais se esforçaram para tal. Duas frases que são relevantes citar: Não hesito em declarar: o diploma é o inimigo mortal da cultura, de Paul Valery, e é tão fácil enganarmos a nós mesmos sem perceber como é difícil enganarmos os outros sem que eles percebam, de La Rochefoucauld.











