Natal do Deus-menino


Por EQUIPE IGREJA EM MARCHA Leigos católicos

22/12/2012 às 07h00

O poeta português Fernando Pessoa escreveu sobre o Natal dizendo que ele é a eterna criança, o Deus que faltava. Ele é o divino que sorri e que brinca. É a criança tão humana que é divina. O teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff, em recente artigo, escreveu que o que se celebra no Natal é um Deus-menino, que choraminga entre a vaca e o burrinho, que não mete medo nem julga ninguém. É bom que os cristãos voltem a esta figura. Arquetipicamente, ele representa o puer aeternus – a eterna criança, que, no fundo, nunca deixamos de ser.

Celebrar o Natal como uma festa do menino-Deus – aquele que se manifestou entre nós como um de nós – é também celebrar a renovação de vida, de inocência e de novas possibilidades. Lembra o teólogo Boff, o Natal quer nos comunicar que Deus não é aquela figura severa e de olhos penetrantes para perscrutar nossas vidas. Não. Ele surge como uma criança. Ela não julga; só quer receber carinho e brincar.

O encanto da festa se perdeu ao longo dos anos, mas, ao olharmos uma criança feliz com um simples e singelo sorriso, vamos nos lembrar da alegria que é o nascimento deste que veio para ser nossa transformação e nossa salvação. Em um de seus artigos, o teólogo Boff conta uma história interessante: acertado foi o editorialista Francis Church, do jornal ‘The New York Sun’, de 1897, respondendo a uma menina de 8 anos, Virgínia, que lhe escreveu: ‘prezado editor, me diga de verdade, o Papai Noel existe?’. E ele sabiamente respondeu: ‘sim, Virgínia, Papai Noel existe. Isto é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção. E você sabe que tudo isto existe de verdade, trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Como seria triste o mundo se não houvesse o Papai Noel! Seria tão triste quanto não existir Virgínias como você. Não haveria a fé das crianças, nem a poesia e a fantasia que tornam nossa existência leve e bonita. Mas, para isso, temos que aprender a ver com os olhos do coração e do amor. Então percebemos que não há nenhum sinal de que o Papai Noel não exista. Se existe o Papai Noel? Graças a Deus, ele vive e viverá sempre que houver crianças grandes e pequenas que aprenderam a ver com os olhos do coração’.

O menino Jesus foi transformado em São Nicolau, em Santa Claus e no Papai Noel, mas isso pouco importa, porque, no fundo, o espírito da bondade, da proximidade e do presente divino está lá. Que neste natal consigamos renovar em nós o espírito do Menino-Deus, trazendo com ele a alegria contagiante e a confiança irrestrita das crianças. A renovação de nossas vidas na fé de que sempre teremos dias melhores. Feliz Natal!