Oposição a quê?
Fiquei surpreso com o pronunciamento de um colega vereador na primeira Reunião Ordinária da Câmara, após as eleições do segundo turno, quando ele afirmou que seu partido assumirá o papel de oposição à nova Administração. Por um curto período de tempo, pensei que as eleições tinham terminado, mas me enganei. E me pergunto: como alguém ou um partido pode ser oposição a um governo novo que ainda não apresentou seu modelo de gestão? Oposição a quê? A oposição hoje existe por ideologia ou por um partido não estar participando ativamente do governo? O pior é que esse tipo de discurso ainda ecoa em muitos ouvidos e constrói muitas discórdias.
Não seria mais razoável ser oposição a algum tema específico, quando o governo toma atitudes contrárias às que o partido acredita ser melhores para um grupo ou para a população? O pensamento retrógrado de Maquiavel ainda é muito utilizado quando a oposição torce para que uma gestão seja ruim, que não traga benefícios aos cidadãos e que tenha uma avaliação negativa.
Na Inglaterra, por exemplo, existe o chamado Gabinete Shadow (sombra). Ele é integrado por membros da oposição que acompanham, passo a passo, o dia a dia do governo, inteirando-se das suas ações, para que, se eventualmente vierem a se tornar situação, estejam preparados para assumir o poder sem causar problemas na continuidade das ações desenvolvidas pelo governo anterior. Mas aqui no Brasil, oposição muitas vezes é sinônimo de adversidade, de barreira ao andamento das ações da situação. Em algumas circunstâncias, a ideia é não deixar que a situação faça um bom governo, fazendo o povo acreditar que ele é ineficiente.
São poucas as oposições que ajudam o governo e que, em um momento futuro, fazem suas campanhas enfatizando o apoio que deram em benefício à cidade e aos cidadãos. Acredito que devemos ter consciência de que a eleição acabou e que é muito mais saudável para a sociedade que trabalhemos nossos mandatos confiados pelo povo a favor deste, e não contra o governo. E, principalmente, que o eleitor possa ampliar sua participação na vida pública do país e possa ter olhos clínicos, sabendo distinguir quem realmente faz a diferença a favor da população.









