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No trânsito, seja responsável!

“Não é por outra razão que continuamos ostentando o quarto lugar do mundo em acidentes com vítimas fatais”


Por José Luiz Britto Bastos, M.Sc em Engenharia de Transportes

19/09/2021 às 07h00- Atualizada 19/09/2021 às 09h22

Em Juiz de Fora, a quantidade de infrações de trânsito cometidas diariamente impressiona. Incluem-se nisso condutores de todos os tipos de veículos. Ciclistas, por exemplo, não respeitam o sinal vermelho nas interseções semaforizadas, trafegam montados nas bicicletas sobre as calçadas, na contramão de direção, usam as faixas seletivas e exclusivas dos ônibus e se julgam certos pelo que fazem. Isso é uma ameaça tanto aos pedestres quanto a eles mesmos.

Motociclistas, em sua maioria, não respeitam os limites de velocidade, empinam motos pelas ruas, usam escapamentos abertos superbarulhentos como ameaça a pedestres e motoristas, atravessam faixas de pedestres montados nas motocicletas, assim como sobre calçadas e refúgios entre pistas. Não circundam as rotatórias, usam a contramão de direção ou passam por cima do círculo elevado e, nas interseções, quase nunca param antes das faixas de retenção.

Indistintamente, a grande maioria que faz o trânsito não respeita nada. Estacionam em locais proibidos com piscas alertas ligados, sobre as calçadas e bem debaixo das placas de proibido parar/estacionar. Mas por que isso acontece? Falta de respeito e educação, lógico, mas também por falta de fiscalização física e/ou eletrônica. Na maioria das interseções, os “motoboys” e os “motoqueiros”, ou “cachorros loucos”, como são conhecidos, avançam na cara de pau os semáforos vermelhos. Ficam de olho nos focos dos semáforos para pedestres da transversal. Quando eles piscam os quatro segundos em vermelho (tempo adicional de segurança para pedestres em travessia), o motociclista olha para aquele semáforo e arranca com o veículo, antes que lhe seja concedido o direito de passagem. Falta de respeito e de vergonha na cara.

Zonas 30! As zonas 30, adotadas em países do primeiro mundo, aqui não existem. Temos velocidades urbanas permitidas de até 60km/h (arteriais) em vias superadensadas, daí os acidentes, sobretudo em relação aos pedestres, atropelados por motocicletas, bicicletas e automóveis, de um modo geral, em velocidade muito acima de 30km/h. E sabemos que uma pessoa atropelada por um veículo a 30km/h tem até 85% de chances de sobreviver, enquanto que, a 50km/h, a realidade se inverte: nesse caso, a pessoa tem 85% de chances de morrer.

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Não é por outra razão que continuamos ostentando o quarto lugar do mundo em acidentes com vítimas fatais. Agora mesmo, em tempo de pandemia, no Brasil, continuamos matando no trânsito mais de 40 mil pessoas e ferindo mais de 200 mil por ano. Não é por outro motivo que o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) trabalha intensamente no sentido de oferecer aos municípios e às empresas vários programas direcionados para a educação e ações preventivas a serem aplicadas no trânsito, sempre com o objetivo de reduzir essa tragédia, que mata mais que algumas guerras em andamento pelo mundo.

Por último, cabe ainda questionar a questão da municipalização do trânsito, uma decisão acertada, mas meio “capenga”, em razão das competências infracionais em relação às polícias estaduais. Isso precisa ser modificado. Aos agentes de trânsito, nas áreas urbanas, deveria ser concedido o poder de polícia, assim como o é à Polícia Militar.

“No trânsito, sua responsabilidade salva vidas!” Somos todos responsáveis por deslocamentos mais seguros, sobretudo os de pedestres, ciclistas e motociclistas, sem dúvida, os atores mais vulneráveis do trânsito!

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