Redes e mídias sociais


Por CARLOS MAGNO A. DE ARAUJO Professor, mestre em geografia

19/08/2014 às 06h00

As novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) transformaram muito rapidamente as relações sociais, a ponto de estar despontando um novo ramo do conhecimento, denominado ciência das redes. A evolução científico-tecnológica do último século foi mais rápida e diversificada do que a dos milênios de história humana que a precederam. A velocidade das transformações é tão grande que ainda não temos um conhecimento consistente das implicações das mudanças nas próximas décadas.

Nesse contexto, a expressão redes sociais ganhou enorme visibilidade, sobretudo em função do advento da internet e de sites de relacionamento, como o Facebook, o Twitter e o Instagram. Assim, é recorrente a associação que se faz entre as redes sociais e a internet, embora as redes sociais existam na prática desde o surgimento da nossa espécie. Na Roma antiga, por exemplo, era comum mensageiros levarem recados em tábuas de cera para destinatários que, após fazerem a leitura, apagavam o recado e respondiam na própria tábua, que era então devolvida. As perguntas e respostas eram com frequência abreviadas, como é comum hoje na internet. Além dessa plataforma de cera, que tinha o tamanho e o formato do IPad moderno, o papiro também era usado com a mesma finalidade. Marco Túlio Cícero, filósofo e político romano, teria sido um dos precursores das redes sociais, segundo especialistas.

Uma das preocupações dos estudiosos das redes é que, embora elas visem à interação, existe o risco de um esvaziamento por conta da tão somente participação. Interagir é se relacionar, participar é fazer parte, sem necessariamente interagir, o que acontece, por exemplo, quando estamos em uma reunião e nos comportamos apenas como ouvintes, sem dizer palavra. A partir do século XIX, com a popularização das mídias de massa – jornais, revistas e livros -, as pessoas passaram a obter as informações dessas mídias, num processo de mão única, sem interação, o que ocorria antes quando as informações eram obtidas pessoalmente através dos amigos. A internet, no último decênio, passou a competir com as mídias de massa tradicionais. É a partir desse momento em que o desafio da criação de conteúdos de mão dupla, que permitam a interação, começa a preocupar os agentes que competem no mercado por público para seus produtos e serviços.

A necessidade de se conectar, de interagir, acompanha a humanidade desde seus primórdios e certamente não cessará, lançando no presente a necessidade da criação de mecanismos que permitam que a interação se dê virtualmente. É nesse sentido que os estudiosos das redes se debruçam para entender os processos inerentes ao funcionamento das mesmas, cada vez mais distribuídas, quebrando o paradigma das redes centralizadas e descentralizadas. Isso significa que não há mais hierarquia, não há comando, as coisas acontecem a partir dos encontros casuais, sem terem sido programados e sem que haja uma liderança. Isso ficou patente nas manifestações por todo o Brasil no ano passado. Compreender essa dinâmica é fundamental em um mundo que passa por rápidas e profundas transformações, no sentido de nos possibilitar maximizar as potencialidades das redes em benefício de um número cada vez maior de pessoas.