JF e o mestre Niemeyer

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Adicionar Tribuna de MinasNuma manhã de um dia de setembro de 1985, recebi uma convocação do superintendente Regional da RFFS/A – SR-3 para comparecer ao seu gabinete. Incumbiu-me de ingressar na equipe de engenheiros que estavam providenciando a construção de um monumento em homenagem ao presidente Tancredo Neves na área do prédio da administração a ser inaugurado e que leva o seu nome. Mostraram-me um esboço da obra em papel-manteiga. Fiquei emocionado quando vi quem o assinava. Nada mais nada menos do que ele…. o mestre dos mestres, Oscar Niemeyer.
Dias depois, chegou o projeto completo. O engenheiro da empresa construtora, ao examiná-lo, perdeu até o seu tradicional sorriso. Meu coração bateu mais forte. Os detalhes da obra em concreto armado desafiavam nossa imaginação. Como executá-la, já que não tinha uma face paralela? Onde construí-la? Concluiu-se que deveria ser uma peça pré-moldada. Como alçar uma peça de 13 toneladas, já que o concreto seria aparente e não poderia ferí-lo? Por fotografias antecipadamente tiradas por mim e enviadas a ele, determinou o local na praça. Alguns colegas disseram que ali seria impossível, pois a praça já estava pronta, e não haveria tempo para reconstruí-la depois. Bati o pé. Se ele determinou que fosse ali, teria que ser ali.
Providenciadas as estacas, o problema continuou. Concluiu-se que a peça pré-moldada posteriormente seria encaixada no bloco de fundação, utilizando um guindaste. O concreto deveria ser preparado com cimento especial para se obter uma alta resistência logo nas primeiras horas depois de lançado na forma. O encarregado da empresa teve duas brilhantes ideias. A forma deveria ser feita por marceneiros, e não por carpinteiros, e, na praça, deveria ser construída uma plataforma de madeira, e, sobre ela, a peça. Para a forma, foi feito um gabarito em papel na escala original e depois passado para a madeira. A peça foi armada e concretada. O concreto cumpriu sua parte.
Para mim, sobrou a supervisão da construção do bloco de fundação. Iniciamos ao cair da noite e só terminamos na manhã do dia seguinte. A complexidade dos detalhes da armação ocasionou o excesso das horas gastas. A peça principal foi içada e encaixada no bloco, para, em seguida, ser concretado. O guindaste a segurou durante 24 horas. Solto, o monumento estava esbelto e consolidado em seu lugar indicado pelo mestre. Imediatamente a praça foi recomposta. Notei que a união entre a peça, que é inclinada, e o bloco é feita em uma área mínima. A partir dessa época, Juiz de Fora passou a integrar o rol das cidades que têm o privilégio de possuir uma obra projetada e caracterizada pelos traços marcantes de Oscar Niemeyer, e eu, o privilégio de ter feito parte da equipe que a construiu – tudo proporcionado pela RFFS/A.









