Tradição e modernidade
Desde o ano de 1992 que estou no magistério. Afastei-me no início do ano de 2011, em São Paulo, até por causa da minha volta para Juiz de Fora, mas tenho belas recordações de todos os meus alunos, sejam os da 8ª ao 3º colegial, em química e física, mesmo os de idiomas, em aulas particulares, dos cursos técnicos em contabilidade, como também os alunos que se graduaram para técnicos em segurança do trabalho e, por fim, os colegas advogados na Escola Superior de Advocacia da OAB/SP do Litoral Norte de São Sebastião, em Ubatuba-SP.
O momento mais sagrado para um professor é a sala de aula, e, quando é assim, o aluno também sente. Quando se tem amor pela transmissão do conhecimento, isto é notório. Percebem que você, na qualidade de orientador, tem vontade que cada um aprenda aquele instrumento fundamental para a vida. A multidisciplinaridade, a aplicação da interdisciplinaridade, colocando o mundo dentro de uma sala, dando dinamismo ao ensino. Isto é real e peripatético. Aplicando redações sobre assuntos veiculados em jornais, trabalhos e pesquisas, prova oral e avaliações escritas de conhecimento, com obrigações semanais sobre a disciplina. Laboratório. Tudo é importante. A avaliação permanente com participação.
Vieram a internet, e com ela tivemos muita facilidade, e o perigo também. A Wikipedia sendo consertada todo dia, e, a cada pesquisa sobre o tema, a obrigação de se avaliar o que foi mudado naquele rodapé.
A satisfação do aluno em aprender. Isto é gratificante. Pois bem. Contra tudo e contra todos, eu entendia que era imperioso continuar, mesmo que fosse nas escolas particulares, porque a pública já não me deixava ensinar mais. As exigências mal interpretadas de Piaget em um construtivismo destrutivo, imperando o dedutivo mal aplicado com a pitada da proibição do indutivo. Ficou impossível passar e aprender. Aprisionaram o professor com diversas grades, inclusive com uma chamada ECA, vinda das bocas dos pais e mães que não prepararam os filhos para aprenderem. Exigir direitos e a passagem até o diploma: lema único. E assim foi até desistir de vez e ficar somente com os cursos técnicos noturnos e com a ESA da OAB/SP.
Finalmente, entendi também que as faculdades estavam passando por mudanças e que diversas seriam fechadas, porque só obtinham avaliações abaixo do razoável durante anos seguidos, e que milhares de jovens viriam para o mercado sem qualquer respaldo e dizia que o diploma do profissional será a entrevista para o emprego, e ninguém acreditava em mim. Até que o exame da OAB veio para explicitar que aqueles 10% que passavam provinham das mesmas faculdades que existiam antes de se criarem outras 900. Isto é só para citar as de direito. E pensar que existem faculdades na Inglaterra que existem há mil anos… Como funcionam?
Depois vieram as exigências, burocracias, os traumas dos donos de faculdades com a paranoia. Veio também o Enem para provar que a formação era muito deficitária. Faculdades, por todo o país, passaram a querer que seus alunos fossem regidos exclusivamente por mestres e doutores e até por quem jamais advogou, ou por quem não atuou no Ministério Público ou na magistratura. A qualidade acadêmica dos docentes e alunos passou a ter um só norte: orientadores teóricos demais, e se esqueceram da notória especialidade. O pânico chegou ao ponto de se pressionarem os mestres e doutores para que fizessem a faculdade, de todo modo, ser reconhecida pelo MEC e pela listagem do OAB RECOMENDA. Repito, só para focar naquilo que vivi, mas que dá uma ideia geral sobre o quadro proposto.
Chegamos aos cursos a distância e nos distanciamos um pouco mais do objetivo crucial. Não se faz ensino de qualidade com diplomas e gardalhões. Sinto falta dos mestres Sebastião Marsicano Ribeiro e Pável de Lima Bastos e muitos outros inesquecíveis.











