Com quem o prefeito se alinha?


Por PAULO CESAR DE OLIVEIRA, JORNALISTA Tomo Belo Horizonte como exemplo, mas poderia ser qualquer outro município brasileiro, de qualquer tamanho, pois as situações são iguais.

18/07/2012 às 07h00

Na capital mineira, o PT e as legendas que conseguiu reunir, algumas que já estavam comprometidas com a candidatura do PSB, afirmam que buscam construir um grupo com maior identidade e proximidade com o Governo federal. Alegam que este entrosamento é importante, fundamental até, para o desenvolvimento de programas com apoio federal. O discurso é que para obter verbas, é indispensável, ou no mínimo facilitador, ser aliado ao Governo federal. Nas cidades menores, o que se vende é que o alinhamento com o governador é que é importante. Sem ele, esqueçam as obras.

Ora, nada mais retrógrado, antidemocrático, contrário às boas práticas republicanas. Muitos dos que hoje usam essa argumentação para tentar convencer os eleitores foram vítimas reais dessa situação e se cansaram de urrar pelas ruas, denunciando a prática. Era assim mesmo no período da ditadura. Quem ousava ser, minimamente, de oposição, passava a pão e água, quando não faltava um dos dois, mas isso, na maioria dos estados brasileiros, está superado. Daqui e dali, podem e devem ocorrer práticas assim, mas, ao contrário do que está sendo visto nesse início de campanha, devem ser desestimuladas, não incentivadas, como agora.

Por qual razão, afinal, prefeito tem que estar afinado com o presidente ou com o governador? Por que precisa ser amigo do poder para obter recursos necessários às demandas de seu município? Prefeitos são carentes, sempre, e por isso mesmo estarão sempre alinhados com o pensamento político dos governos federal e estadual. Distribuir bolsas é coisa de governo de esquerda. Sabiam que os prefeitos são de esquerda, pois todos precisam atender aos mais pobres de suas cidades? Asfaltar ruas e avenidas é coisa da direita? Pois todos os prefeitos são de direita. Em qualquer município brasileiro, dos mega aos mínimos, todos têm o que urbanizar.

Saúde, saneamento, educação, transportes, seja lá que programa for, é prioridade para municípios. Para executá-los, dependem sim dos outros níveis do Governo, mas deles não se pode exigir, nunca, que tenham proximidade ideológica, afinidade política ou pessoal com presidente e governador. Deles deve-se exigir que tenham respeito e compromisso com o dinheiro público. Que cumpram a obrigação de ser honestos – o que no Brasil, de tão raro, passou a ser virtude, não dever. No mais, que todos procurem ser mais criativos em seus discursos, que respeitem a forma republicana, que deixem as práticas coronelistas e trabalhem por maior autonomia dos municípios e também dos estados. Sem isso, não vamos avançar na democracia.